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Costa vs. Costa. PS E BE querem usar relatório secreto para demitir o governador do Banco de Portugal

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José Carlos Carvalho

Deputados do BE já pediram o documento da BCG, que avalia a atuação do supervisor no caso BES, à comissão parlamentar de Inquérito ao caso Banif, e isso pode abrir caminho à saída de Carlos Costa, noticia o “Diário Económico”

O relatório refere-se ao caso BES e aponta uma eventual "falta grave" na supervisão. Agora, PS E Bloco de Esquerda querem usa-lo no caso Banif. Em causa está um documento elaborado pela consultora Boston Consulting Group (BCG) que avaliou a atuação do supervisor no BES e, segundo o PS, "contém informação crítica" sobre o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

De acordo com o jornal "Diário Económico" desta manhã, o Bloco de Esquerda já pediu esta quarta-feira à Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso Banif a entrega do relatório sobre a atuação do supervisor, alegando que este documento é "fundamental" para uma "avaliação integrada" da atuação do supervisor no sector financeiro.

Esta quinta-feira, poderá ser o PS a avançar com um requerimento idêntico, abrindo mais uma frente de ataque ao Banco de Portugal, depois de o primeiro-ministro António Costa ter apontado o dedo diretamente ao governador do banco central no caso dos lesados do BES, acusando-o, esta quarta-feira, de estar a impedir clientes do antigo BES de reaverem as suas poupanças.

Com a divulgação deste relatório, Carlos Costa poderá ser confrontado diretamente com essas eventuais falhas no inquérito Parlamentar ao Banif.

No documento, diz o "Diário Económico", haverá "uma eventual referência" a "uma falta grave" da supervisão na forma como lidou com os problemas no BES, o que poderá dar ao Governo argumentos jurídicos e tentar forçar o afastamento de Carlos Costa da liderança do Banco de Portugal, uma vez que, em termos legais, o supervisor só pode ser demitido "em circunstâncias muito especiais".

O trabalho da BCG foi encomendado pelo próprio Banco de Portugal para avaliar a sua atuação durante o processo BES, mas o governador sempre recusou divulgar o seu conteúdo, em nome do "dever de confidencialidade".