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BCE sublinha nova buzzword. É preferível agir “preemptivamente”

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Mario Draghi referiu esta semana que o banco central “não hesitará em agir” em caso de necessidade. As atas da última reunião de janeiro mostram que os banqueiros discutiram a possibilidade de uma ação “preemptiva” (que é distinta de ação preventiva) face a um risco iminente

Jorge Nascimento Rodrigues

As atas da reunião de 20 e 21 de janeiro, divulgadas esta quinta-feira, reforçam a ideia de que o Banco Central Europeu (BCE) se prepara para agir na reunião de 10 de março. Mario Draghi, o presidente do BCE, já, esta semana, havia dito perante o Parlamento Europeu que os banqueiros centrais “não hesitarão em agir”, em caso de necessidade.

Os intervenientes sublinharam na reunião de janeiro que os “riscos descendentes” no quadro económico “se agravaram” desde a reunião anterior de dezembro, em que a equipa de Mario Draghi decidiu agendar para março uma reavaliação dos programas e medidas de estímulos monetários.

Na discussão, os participantes discutiram se é preferível “agir preemptivamente para contrariar os riscos descendentes” em vez de esperar até que "se materializem totalmente". Mas não querem “indevidamente transmitir uma mensagem sombria”.

Os banqueiros centrais do euro não querem manifestar complacência face à deterioração da situação, mas também não querem alimentar pessimismo, não querem tocar no botão do pânico.

O termo “preemptivo” é distinto de preventivo. Na ação militar, são atuações distintas. Uma ação preemptiva significa a necessidade de atuar quando é claro que se antecipa que o risco é iminente – ou seja, é essa a perceção que há, no coletivo do BCE, sobre os riscos descendentes. Uma ação preventiva lida com uma situação de risco inevitável ainda que não seja iminente.

Não há limites

A equipa de Draghi quer que fique claro que “não há limites” sobre até onde o BCE está disposto a usar os instrumentos de política monetária de que dispõe. Por isso, na reunião deixou-se bem vincado que “o BCE está disposto e capaz de tomar novas medidas, se necessário” e que está a trabalhar “para garantir que existem condições técnicas para uma flexibilização adicional” da política monetária.

A ideia básica de que é preferível agir a esperar foi um dos traços marcantes da reunião, em que a orientação de reavaliar a política monetária em março foi apoiada por unanimidade.

Reafirmou-se, na reunião, que a retoma na zona euro continua a basear-se no consumo e que vai a par de um período prolongado de inflação baixa. As principais preocupações, no cenário internacional, têm a ver com o risco de uma "aterragem difícil" na China.

As três primeiras semanas de março vão estar marcadas por três importantes reuniões de bancos centrais. A 10 de março reúne-se em Frankfurt o BCE, apontando-se a probabilidade de novas medidas de estímulos. A 14 e 15 é a vez da reunião em Tóquio do Banco do Japão, e a expetativa dos analistas é que se tomem mais medidas de estímulos. A 15 e 16, em Washington a Reserva Federal poderá reafirmar a estratégia de prudência não procedendo a novo aumento das taxas de juro, como apontam as atas da última reunião de janeiro divulgadas na quarta-feira.