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Bolsas. Petróleo e prudência da Fed animam Europa e Wall Street

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O Irão considerou um “bom começo” os primeiros passos de cooperação entre a OPEP e a Rússia. Preço do Brent subiu 7,5%. Atas da reunião do banco central dos EUA de janeiro confirmam prudência quanto a nova subida do intervalo da taxa de juros

Jorge Nascimento Rodrigues

O fecho no vermelho dos mercados da Ásia Pacífico e a queda de mais de 1% do preço do barril de Brent na sessão asiática marcaram o início desta quarta-feira. Mas as bolsas na Europa e em Nova Iorque acabaram por seguir uma trajetória distinta e o preço do Brent fechou o dia a ganhar 7,5%.

A Europa liderou esta quarta-feira as subidas. O índice MSCI para a região subiu 2,55% e o índice similar para os Estados Unidos avançou 1,68%. No caso da Ásia Pacífico, a perda foi de 0,85%, em virtude do recuo na Bolsa de Tóquio. As subidas nos dois índices puxaram pelo índice bolsista mundial, que registou um ganho de 1,51%.

Na Europa, cinco das principais praças financeiras fecharam com ganhos superiores a 2,5%, com o índice Cac 40, da Bolsa de Paris, a liderar as subidas. Um conjunto de bolsas periféricas registaram ganhos superiores a 3%, com destaque para a de Oslo, onde o índice geral fechou a subir 4,26%. O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, avançou 3% e o ISEQ, de Dublin, ganhou 3,2%.

Em Wall Street, o índice Dow Jones 30 fechou a subir 1,59% e o índice S&P 500 ganhou 1,65%. Na bolsa das tecnológicas, o índice composto do Nasdaq avançou 2,21%.

Os mercados bolsistas dos dois lados do Atlântico acabaram por ser influenciados por dois eventos.

O Irão veio considerar esta quarta-feira um “bom começo” a cooperação iniciada entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a Rússia na reunião realizada no dia anterior em Doha. No final da reunião de hoje em Teerão que juntou Irão, Iraque, Qatar e Venezuela, nada foi concretizado publicamente, mas o Irão acentuou que a reunião de Doha foi “um passo positivo”. Isso foi o suficiente para o preço do Brent saltar do patamar de menos de 32 dólares no final da sessão asiática para 34,80 dólares no fecho da sessão norte-americana.

Já depois do fecho da sessão europeia, a Reserva Federal norte-americana (Fed) divulgou as atas da reunião de 27 de janeiro, confirmando que a equipa presidida por Janet Yellen tomou em consideração a “deterioração brusca” das condições no mercado financeiro global e o próprio “declínio” no mercado acionista do país que ocorreram depois da reunião realizada em dezembro do ano passado. “Se o recente endurecimento das condições financeiras globais se mantiver, poderia ser um fator de amplificação de riscos negativos”, sublinhou-se na reunião.

Face a esse quadro, e à incerteza reinante, a prudência surgiu como palavra chave. “Vários participantes notaram que a política monetária está menos bem posicionada para responder eficazmente aos choques que reduzem a inflação ou a atividade real do que a choques ascendentes, e que seria prudente esperar para obter informações adicionais sobre a força subjacente da atividade económica e acerca das perspetivas para a inflação antes de tomar o próximo passo na redução da política acomodatícia", lê-se nas atas da reunião do Comité Federal de Mercado Aberto da Fed. Alguns participantes vincaram mesmo que só apoiarão nova subida da taxa de juros se houver "evidência direta de que a inflação caminha no sentido de 2%".

Os banqueiros centrais reconheceram, na reunião, que os investidores esperam menos aumentos das taxas de juro este ano do que haviam projetado em dezembro. A probabilidade implícita de uma nova subida das taxas de juro pelo banco central é, agora, de apenas 32% para a última reunião do ano em dezembro, segundo os futuros das taxas da Fed. No final de janeiro, era de 53%.

  • A Bolsa de Tóquio regressou ao vermelho, empurrada pelo temor dos bancos à entrada em terreno negativo da taxa de juros no mercado interbancário. China escapou ao pessimismo. Preço do Brent recuou 1,3% no fecho da sessão asiática, à espera de resultados de reunião em Teerão