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Banif: PCP quer ouvir diretor e comentador da TVI

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Proposta do Santander pelo Banif foi feita a ritmo acelerado, tal como a mudança de imagem nas instalações

Nuno Botelho

Em causa a comissão de inquérito ao Banif. Governador do Banco de Portugal, Centeno, Gaspar e Maria Luís também serão ouvidos. PCP quer ainda interrogar o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, será o primeiro nome a ser chamado para depor perante a comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre o Banif. Depois do supervisor - que é também a entidade responsável pela resolução do banco, embora esta decisão tenha sido anunciada pelo primeiro-ministro - deverão passar pelo exame dos deputados os últimos três ministros das finanças: Mário Centeno, que ocupava o cargo no momento da decisão de acabar com o banco, e Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque, que negociaram com Bruxelas não só a injeção de 1100 milhões de euros, em janeiro de 2013, como sucessivos planos de reestruturação do banco, todos repetidamente chumbados pelas autoridades europeias.

A primeira lista de personalidades a interrogar, bem como a sequência em que se farão as audições da CPI, serão aprovadas esta quarta-feira ao início da tarde. BE, PSD e PCP tornaram pública a lista das personalidades que querem chamar ao Parlamento - os sociais-democratas foram os mais exaustivos, elencando 54 pessoas; os bloquistas coligiram 29 nomes e o PCP apresentou esta quarta-feira um rol de 35. Boa parte dos nomes já propostos coincide: administradores e ex-administradores do Banif desde 2008, supervisores nacionais e europeus, responsáveis da Comissão Europeia, auditores e representantes tanto do Santander Totta, que acabou por ficar com o negócio do Banif, como de outras entidades que apresentaram propostas de compra que foram recusadas (como o Banco Popular e o fundo Apollo).

Apenas o PS e o CDS não tornaram pública a lista de personalidades que querem inquirir. Mas, no caso do PS, já houve conversas prévias com o PCP e o BE para articular posições à esquerda antes da reunião de todas as bancadas presentes no inquérito.

PCP quer ouvir diretor e comentador da TVI

Numa investigação que terá contornos muito mais politizados do que o que aconteceu com o BES - seja porque não há um núcleo duro de administradores como havia no grupo Espirito Santo, no qual Ricardo Salgado era inquestionavelmente a figura central, seja porque desde a injeção de capital em 2013 o Estado era o principal responsável pelo destino do banco -, os depoimentos de responsáveis políticos serão centrais. Tanto do atual e dos ex-ministros das Finanças, como do secretário de Estado Ricardo Mourinho Félix, o interlocutor principal da Direção Geral de Concorrência da Comissão Europeia.

Por outro lado, nota-se nas listas já apresentadas o peso de responsáveis das instituições europeias. Entre eles, o PSD incluiu o atual vice-presidente do BCE, Vitor Constâncio - mas na qualidade de ex-governador do Banco de Portugal, que acompanhou desde 2008 a crise financeira que se revelaria fatal para o Banif.

Tanto o PSD como o PCP querem ainda incluir no inquérito a polémica notícia da TVI, que uma semana antes da resolução anunciou o encerramento iminente do banco. Uma notícia que provocou uma corrida aos depósitos nos dias seguintes, contribuindo para as dificuldades de liquidez do banco, o que acabou por ser uma das justificações para o BCE ameaçar cortar-lhe o financiamento.

PSD e PCP querem ouvir Sérgio Figueiredo, diretor da TVI, mas os comunistas querem também questionar o jornalista António Costa, comentador daquele canal, que analisou essa notícia na noite em que foi divulgada.

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