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Eduardo Cabrita: “Há alternativa” à TINA

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MÁRIO CRUZ / Lusa

Ministro-adjunto defende que Orçamento do Estado para 2016 derrota a ideia da TINA [There is no alternetive]

Eduardo Cabrita, ministro-adjunto e braço direito do primeiro-ministro António Costa na coordenação política do Governo, assegura em entrevista ao "Diário Económico" desta terça-feira que "este Orçamento marca a diferença em relação a quatro anos de conflito com o Estado de direito e de ruptura social".

Cabrita vai mais longe: "O que tínhamos nos últimos anos e, designadamente em 2015, não inspirava confiança", afirma, apontando o dedo não só ao anterior Governo, mas também a "uma determinada ortodoxia europeia, com as forças conservadoras que são prevalecentes na Comissão Europeia e no Conselho Europeu, que manifestam alguma estranheza relativamente a uma assumida mudança de caminho e de dizermos que afinal há alternativa". E acrescenta: "A TINA ['There is no alternetive' (não há alternativa, em tradução livre)] foi claramente derrotada neste Orçamento."

O governante considera que o Orçamento do Estado para 2016 não será desvirtuado pelos partidos que apoiam o atual Governo: PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes. "O debate de especialidade vai decorrer dentro de poucas semanas. mas este Orçamento reflete no essencial tudo o que são compromissos também em reposição de mínimos sociais, matérias extraorçamentais, a evolução gradual do salário mínimo", diz.

Eduardo Cabrita, que já integrou outros Executivos, considera que depois do novo desenho político que se impôs – Governo minoritário socialista com o apoio dos partidos à esquerda – "nada voltará a ser como dantes". "É uma experiência que determina a um virar de página e que corresponde a uma nova geração na política portuguesa". Sobre o Bloco, PCP e Os Verdes diz: "Não precisamos de nos confundir. Aliás, achamos natural que existam diferenças na visão que temos, quer para o país quer para o mundo, mas que é fundamental afirmar o grande consenso em torno de princípios de transformação da socidade portuguesa de que a Constituição da República é uma matriz de referência".

Braço-direito de António Costa, o ministro-adjunto afirma na mesma entrevista que o primeiro-ministro "está hoje mais preparado do que nunca para este desafio. Como o próprio diz, a experiência na Câmara de Lisboa deu-lhe uma dimensão diferente e mais rica do que é a sua grande capacidade política e de gerar consensos, de promover o diálogo, de encontrar soluções onde elas às vezes parecem quase impossíves. E já houve vários impossíveis nestes três meses", remata.