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TAP perde €8 milhões ao ano com rotas que vai suspender

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josé carlos carvalho

Apesar de taxas de ocupação próximas dos 80%, voos para Barcelona, Bruxelas, Roma e Milão são deficitários para a TAP

Entre outubro de 2014 e outubro de 2015, a TAP perdeu mais de oito milhões de euros com as rotas no Porto que, entretanto, anunciou ir suspender a partir de 27 março.

De acordo com um documento enviado pela companhia a associações do Norte do país, a que o Expresso teve acesso e noticiou na edição deste sábado, a rota de Barcelona, por exemplo, teve uma taxa de ocupação média de 85% e penalizou em 2,77 milhões de euros os resultados da TAP. O mesmo documento refere que aquela rota precisaria de alcançar uma taxa de ocupação na ordem dos 116% para apresentar resultados equilibrados.

Nos casos das rotas de Bruxelas, Roma e Milão, as taxas de ocupação médias foram de 78% (-1,66 milhões de euros), 79% (-1,68 milhões de euros) e 84% (-1,91 milhões de euros), respetivamente. Segundo os dados da TAP, precisariam de chegar a 106%, 107% e 109% para ser rentáveis.

As explicações da transportadora aérea foram exigidas pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e por confederações empresariais do Norte, que acusam a companhia de desinvestir na cidade.

Concorrência aproveita

Contactada pelo Expresso, a Ryanair avança que vai lançar duas novas rotas a partir do Porto — Copenhaga e Colónia —, a começar no verão, e que pretende “continuar a crescer no Porto”, onde já conta com 41 rotas e 214 frequências.

Já a EasyJet, com 13 rotas e mais de 1,4 milhões de passageiros ao ano no Porto, adianta que vai estrear a rota Porto-Funchal com início em maio. De resto, os planos para ter mais rotas a partir do Porto “estão a ser analisados”, mas “é importante salientar que a instabilidade da concorrência não nos ajuda a tomar uma decisão mais célere porque, neste momento, há muitas incertezas relativamente a rotas, se irão de facto ser canceladas ou retomadas a curto prazo”.

Entretanto, a Lufthansa anunciou que vai começar a voar entre o Porto e Munique, a partir de 24 de abril, assumindo-se como “o único grupo de aviação de topo a investir no aumento da operação a partir do Porto”.

Também a British Airways veio dizer que vai triplicar a sua oferta para esta cidade portuguesa, com quatro voos semanais diretos para Gatwick. A Turkish Airways reforça a sua operação a 17 de maio para passar a ter um voo diário para Istambul e a Wizz Air anunciou na quinta-feira uma nova rota Porto-Varsóvia (Polónia), a partir de 15 de maio.

Recorde-se que a TAP anunciou uma ‘ponte aérea’ entre Lisboa e Porto a partir de março, com voos “a toda a hora”. Em Lisboa, também cancelou “rotas deficitárias”: Zagreb, Budapeste, Gotemburgo, Hanôver e Bucareste, que tiveram no seu conjunto uma taxa de ocupação de 73%, apurou o Expresso.

No longo curso, Bogotá e Panamá tiveram taxas de ocupação de 70% e Manaus de 68% (a média do Brasil foi de 80%). Nestes casos, pesam os custos das descolagens e aterragens adicionais, aeroportuários e de duplicação de tripulações.

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