Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsas. Ásia recupera, mas China reabre no vermelho

  • 333

Depois de uma semana em que caíram mais de 6%, as bolsas asiáticas registam ganhos esta segunda-feira, lideradas por Tóquio, que subiu mais de 7%. A exceção foram as duas bolsas chinesas que saíram de uma semana de feriados pelo ano novo lunar

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas da Ásia Pacífico recuperaram esta segunda-feira depois de uma semana de fortes perdas em que Tóquio registou uma derrocada na sexta-feira. Os índices nipónicos fecharam hoje a ganhar mais de 7%, depois de terem perdido mais de 11% na semana anterior.

As duas bolsas chinesas reabriram no vermelho depois de uma semana de feriados em virtude do ano novo lunar. Em Xangai, o índice composto perdeu 0,63% e em Shenzhen o índice composto caiu ligeiramente, um recuo de 0,04%. O índice de referência CSI 300 (para as trezentas principais cotadas nas duas bolsas) desceu 0,58%. Na primeira semana de fevereiro, antes do encerramento por causa do ano novo lunar, as duas bolsas chinesas registaram ganhos.

A China foi esta segunda-feira o único ponto vermelho na região.

Hoje as bolsas de Nova Iorque e de Toronto estarão fechadas em virtude de feriados. Os futuros em Frankfurt estão em terreno positivo, apontando para uma abertura na Europa no verde, prosseguindo a trajetória de subida na sexta-feira na Europa e nos Estados Unidos.

Má notícia no Japão aumenta expetativa de mais estímulos

O disparo em Tóquio com o índice Nikkei 225 a ganhar 7,16% e o índice TOPIX a avançar 8% destacou-se esta segunda-feira. Em Hong Kong, o índice Hang Seng, subiu mais de 3%. O índice Kospi sul-coreano na bolsa de Seul ganhou 1,47% e o índice australiano ASX 200 avançou 1,64% em Sidney. Muito modesta foi a subida do índice de Taiwan que ficou ligeiramente acima da linha de água na bolsa de Taipé.

A sessão asiática desta segunda-feira ficou marcada por duas notícias negativas na frente económica.

A economia japonesa contraiu-se 1,4% no quarto trimestre de 2015, uma queda do PIB superior à prevista pelos analistas que apontavam para um recuo de 0,8%.

No entanto, esta má notícia gerou nos investidores uma expetativa positiva de que o Banco do Japão e o governo nipónico avancem com novas medidas de estímulos, o que alimentou o frenesim na bolsa de Tóquio.

China desacelera, mas não quer desvalorização da sua moeda

Na China, os dados do comércio externo relativos a janeiro confirmam uma desaceleração clara, com as exportações a registarem uma queda de 11,2% e as importações a caírem 19%, se medidas em dólares. Em ambos os casos, as quebras foram largamente superiores às previstas pelos analistas (-1,8% para as exportações e -3,8% para as importações).

A China não só está a exportar menos em virtude do abrandamento nos seus principais parceiros, como importa ainda menos graças ao seu próprio abrandamento. E essa dinâmica negativa ultrapassou inclusive o pessimismo dos analistas. No entanto, em virtude da queda das importações ter sido muito superior à registada nas exportações, o excedente da balança comercial subiu de 60 mil milhões de dólares em dezembro para 63,3 mil milhões em janeiro.

O governador do Banco Popular da China, o banco central, declarou, no fim de semana, em entrevista à revista financeira independente chinesa "Caixin", que não há razão para uma política de desvalorização do renminbi que fomente exportações. Esta segunda-feira, a moeda chinesa estava a valorizar face ao dólar. Zhou Xiaochuan, governador do banco central, reafirmou, na entrevista, que “não deixará que o sentimento do mercado seja dominado pelas forças especulativas”. Afastou, também, a possibilidade da China instaurar controlo de capitais, pois considerou que os recentes movimentos de saída são “normais” e não configuram “fuga de capitais”..

  • Balanço semanal. O epicentro da crise bolsista deslocou-se nesta segunda semana de fevereiro para a Ásia e Europa. Índice mundial caiu 2,6% e entrou em “mercado do urso” (tendência de baixa). Apreensão com a reabertura das bolsas chinesas na segunda-feira