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Cenário para a década não durou 10 meses

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Luís Barra

Pouco resta das previsões que os 12 economistas do PS propuseram, em abril, no documento “Uma Década para Portugal”

Foi em abril de 2015 que os portugueses descobriram Mário Centeno. Em direto para as televisões, esquecera-se dos números do défice e do PIB do cenário macroeconómico que com outros 11 economistas acabara de testar para o PS.

A encomenda socialista foi inovadora: testar medidas de política que, respeitando as regras do euro, permitissem relançar a economia e a criação de emprego e avançar, com seriedade, isto é, sustentadamente, na consolidação das finanças públicas. “Qualquer programa político sério deve assentar num cenário macroeconómico credível”, lia-se neste documento “Uma Década para Portugal” que mudou o debate político a seis meses das legislativas.

Onde está o motor?

Os gráficos à direita mostram como o “virar da página da austeridade” dos 12 economistas (o cenário rosa) contrastava então com o “ir além da troika” do Programa de Estabilidade apresentado pelo Governo também em abril de 2015 (o cenário laranja).

Mas dez meses depois tudo mudou. O cenário preto do Orçamento do Estado para 2016 está mais próximo do cenário laranja que do cenário rosa: o consumo até cresce 2,4% mas desacelera face a 2015; o investimento já não cresce os 7,8% previstos no cenário rosa mas apenas 4,9%; e as exportações passaram de 5,9% para 4,3%. O PIB já não sobe 2,4% mas 1,8% e o emprego já não cresce 1,4% mas 0,8%. A dívida pública cai acima do previsto enquanto a carga fiscal sobe em vez de descer.

Onde estão os economistas?

Metade dos peritos que prepararam o cenário rosa manda agora nas contas do Governo. Há três ministros — Mário Centeno nas Finanças, Vieira da Silva na Segurança Social e Manuel Caldeira Cabral na Economia —, dois secretários de Estado — João Leão no Orçamento e Rocha de Andrade nos Assuntos Fiscais — e um economista em São Bento, Vítor Escária, para assessorar diretamente o primeiro-ministro.

Na audição parlamentar desta quarta-feira, a oposição perguntou a Centeno o que resta daquele cenário rosa de abril. “Entre o cenário macroeconómico que o senhor ministro e um grupo de economistas entregou no PS, que evoluiu para o programa eleitoral do PS, que evoluiu para o programa do governo, para o esboço orçamental e para o orçamento do Estado, já estamos… não no plano B, C nem D, mas no plano H ou L”, disse Duarte Pacheco do PSD. Cecília Meireles, do CDS, avança outra letra do alfabeto: “É o Plano P, da politiquice”.