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Bolsas mundiais. Mais uma semana no vermelho

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Balanço semanal. O epicentro da crise bolsista deslocou-se nesta segunda semana de fevereiro para a Ásia e Europa. Índice mundial caiu 2,6% e entrou em “mercado do urso” (tendência de baixa). Apreensão com a reabertura das bolsas chinesas na segunda-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais fecharam esta segunda semana de fevereiro em terreno negativo. O índice MSCI mundial perdeu esta semana cerca de 2,6%. A queda este mês já soma 4,8%. Se, na semana anterior, o epicentro da crise bolsista mundial esteve em Nova Iorque, nesta segunda semana de fevereiro “deslocou-se” para a Ásia e a Europa.

Os índices de volatilidade indicadores de pânico financeiro, conhecidos pelo acrónimo VIX, subiram. O VIX disparou em Tóquio, com o índice ligado ao Nikkei a subir 46,5% durante a semana. Na Europa, o VIX associado ao índice Eurostoxx 50 subiu 18,7%. O VIX ligado ao índice nova-iorquino S&P 500 foi o que menos subiu, apenas 8,6%.

Esta semana, o índice MSCI para a Ásia Pacífico caiu 6,2% e o índice similar para a Europa perdeu 3,24%. Também, o índice MSCI para o grupo das economias emergentes registou uma quebra semanal de 3,84%. Nova Iorque perdeu, apenas, 0,91% durante a semana.

A situação no final da semana poderia ter sido pior se as bolsas na Europa e em Nova Iorque não tivessem reanimado na sexta-feira. Os índices MSCI para as duas “regiões” subiram, no dia 12 de fevereiro, 2% e 1,98% respetivamente, o que puxou, nesse dia, o índice mundial para terreno positivo, registando um ganho de 1%.

Geografia das derrocadas

A geografia das quedas da semana, que fora, superiores a 5%, revela três “regiões” de maior turbulência.

A Ásia, com o índice Nikkei 225 nipónico a liderar as quedas mundiais, com um recuo semanal de 11,1%. Nesta “região”, os índices indianos da Bolsa de Mumbai caíram 6,7% e, em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 5%. A China esteve fora deste stresse pois Xangai e Shenzhen estiveram encerradas em virtude dos feriados do ano novo lunar.

Depois, os países periféricos do euro, com a bolsa de Atenas a liderar as quedas semanais, com um recuo de quase 10% do índice geral, a que se seguiram as perdas de 7,63% do PSI 20 em Lisboa, de 6,8% do Ibex 35 em Madrid, e de 5,4% do ISEQ em Dublin. Na zona euro associou-se Amesterdão, com o índice AEX a recuar 5,3%.

O terceiro foco foi a Arábia Saudita, com o índice Tadawull de Riade a cair 5,2%.

A derrocada em Tóquio já levou o ministro nipónico das Finanças, Taro Aso, a apelar a uma “cooperação estreita” entre os membros do G20 (vinte maiores economias do mundo, incluindo desenvolvidas e emergentes) face ao pânico financeiro nas bolsas e à turbulência no mercado das divisas. O G20 reunirá a 26 e 27 de fevereiro em Xangai os ministros das Finanças e responsáveis pelos bancos centrais daqueles 20 participantes.

Na Europa, o índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) perdeu 4,5% durante a semana, com o stresse centrado nos principais bancos e seguradoras da zona euro. A maior quebra semanal, no Eurostoxx 50, registou-se com as ações da Société Générale, que afundaram 11,6%. O banco alemão Deutsche Bank (DB) dominou as manchetes em virtude do rumor de que estaria em situação de insolvência. O co-CEO do banco viria a endereçar uma carta aberta aos empregados recomendando-lhes: “Podeis dizer-lhes que o DB continua absolutamente sólido como uma rocha”. O DB anunciou que irá recomprar algumas séries obrigacionistas denominadas em euros (somando €3 mil milhões) e em dólares (totalizando $2 mil milhões).

Novo ciclo bolsista já em curso?

A Bloomberg veio chamar a atenção que o índice mundial bolsista entrou oficialmente em situação de “mercado do urso”, ou seja, em tendência de baixa marcada por um movimento descendente de 20% desde o pico do índice MSCI em maio de 2015. O “mercado do urso” (bear market, na designação técnica) contrasta com o “mercado do touro” (bull market), este último caracterizado por uma tendência altista persistente.

A semana ficou marcada por quatro quedas bolsistas diárias superiores a 5% em Atenas e Dublin, logo na segunda-feira, depois em Milão na quinta-feira, e, finalmente, em Tóquio, a terceira mais importante bolsa do mundo, na sexta. A apreensão, agora, é saber como vai correr a reabertura na segunda-feira das duas bolsas chinesas.

Por seu lado, Michael Howell, da Cross Border Capital, referia, no “CiTY AM” londrino, que as bolsas mundiais parecem registar um ciclo de oito a nove anos entre períodos de tendência negativa nos últimos 50 anos: 1966, 1974. 1981, 1990, 1998, 2007/2008, e, agora, 2015/2016.

Valores refúgio e petróleo

Com o pânico financeiro bolsista a subir, o investimento em valores refúgio dispara. Segundo o Bank of America Merrill Lynch, citado pela Forbes, os investidores aplicaram 1,6 mil milhões de dólares em metais preciosos na semana passada. Nas quatro commodities cujo preço mais subiu na semana passada, o ouro, a prata e a platina fazem companhia ao porco magro. O preço do ouro subiu 7%, o da prata 6,4% e o da platina 4,9%.

Outra corrida regista-se na dívida obrigacionista soberana considerada segura. Um dos reflexos é o aumento do número de prazos em que as yields no mercado secundário são negativas. A Suíça lidera com yields negativas incluindo o prazo a 15 anos. A Alemanha e o Japão registam yields negativas até ao prazo de oito anos inclusive.

O preço do petróleo continua a revelar volatilidade. Desde o início de fevereiro, o preço do barril de petróleo de Brent esteve em queda em sete sessões e subiu em três, incluindo na última sexta-feira, em que fechou em 32,96 dólares, com um ganho diário de 6%. Em termos semanais, o preço do Brent recuou 3,2%. As subidas têm sido alimentadas por declarações de responsáveis da Rússia ou do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) no sentido da possibilidade de uma cooperação para um corte da produção diária, que reduza a pressão para a baixa de preços derivada de uma oferta excedentária. No entanto, como sublinha a “Oil Price Intelligence”, é preferível não dar muito crédito a rumores ou declarações, por vezes ambíguas, até que uma reunião de emergência do cartel seja efetivamente anunciada.