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Custo de segurar a dívida subiu 64% desde final de janeiro

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Os preços dos contratos de cds para as dívidas portuguesa e irlandesa foram os que mais subiram este mês entre os periféricos do euro. Mas estão em patamares muito distintos. Rentabilidade negativa da dívida portuguesa acentua-se

Jorge Nascimento Rodrigues

O preço dos credit default swaps (acrónimo cds) a 5 anos, que funcionam como seguros contra o incumprimento da dívida portuguesa, subiu para 365 pontos base nesta quinta-feira negra em que o prémio de risco galgou os 4 pontos percentuais e as yields das Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos no mercado secundário chegaram a um máximo de 4,5% que já não se registava há dois anos.

Um custo de 365 pontos base significa que o comprador do cds paga 3,65% do valor a cobrir. Se tomarmos como comparação o final de janeiro, o comprador do cds tem agora de pagar mais 1,4%.

Desde o final de janeiro, o custo dos cds para a dívida portuguesa subiu 64%, o aumento mais elevado entre os periféricos da zona euro. A segunda maior subida registou-se com o preço dos cds para a dívida irlandesa, que aumentou 50% naquele período. Mas há que ter em consideração que se trata de patamares de custo dos cds muito distintos – no caso português ocorreu uma subida de 222 para 365 pontos base; no caso irlandês, de 45 para 68 pontos base. A terceira maior subida registou-se com o preço dos cds para a dívida italiana, que passou de 115,6 para 157,74 pontos base.

Depois de um pico do dia acima de 4,5%, as yields das OT fecharam em 4,11% na linha obrigacionista que vence em 2026. O prémio de risco da dívida portuguesa, depois de ter chegado a 438 pontos base, desceu no fecho para 397 pontos base. Cada 100 pontos base equivalem a 1 ponto percentual de diferença em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.

A rentabilidade da dívida portuguesa nas últimas 52 semanas, outro indicador do agravamento da situação, caiu para terreno negativo a 5 de fevereiro e não tem parado de cair. De -0,07% no dia 5 para -5,51% no fecho de 11 de fevereiro. É o único caso nos periféricos do euro de retorno negativo anual.

O stresse na dívida portuguesa acentuou-se desde 20 e 21 de janeiro aquando da expetativa sobre a reunião da ISDA, a Associação Internacional de Swaps e Derivados, que colocou na agenda a apreciação sobre a decisão do Banco de Portugal (BdP) de transferir parte de dívida sénior do Novo Banco para o BES “mau”, o que pode configurar um evento de crédito. A ISDA acabaria por adiar para 12 de fevereiro a apreciação da questão.

O stresse levou novo empurrão a 5 de fevereiro com o aviso feito pela Comissão Europeia ao governo português de que o “rascunho” de Orçamento de Estado para 2016 contem “riscos de incumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento”.

A ISDA deveria voltar amanhã a apreciar a questão das implicações da decisão do BdP, mas adiou para 18 de fevereiro a discussão.