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Wall Street fecha no vermelho. Fed diz que há riscos para os EUA

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Apesar de uma abertura em terreno positivo, os índices do NYSE acabaram esta quarta-feira por fechar com perdas, ainda que ligeiras. Intervenção da presidente do banco central dos EUA no Congresso admitiu riscos internos e externos. Pelo contrário, na Europa, as bolsas estiveram em alta, com Milão a liderar

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas de Nova Iorque abriram em terreno positivo, mas Wall Street acabou por fechar no vermelho esta quarta-feira. Só o Nasdaq, a bolsa das tecnológicas, registou ganhos, ainda que modestos.

Apesar das bolsas norte-americanas fecharem "mistas" e da Europa ter registado ganhos, o índice MSCI global para as bolsas de todo o mundo perdeu 0,10% esta quarta-feira, empurrado pela queda de 1,3% do índice da Ásia Pacífico. O índice mundial fecha esta semana pela terceira vez no vermelho, acumulando um recuo de 2,3%. Na semana passada perdeu sensivelmente o mesmo.

A intervenção da presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), a economista Janet Yellen, perante o Comité de Serviços Financeiros do Congresso, acabou por sublinhar que a economia dos Estados Unidos corre riscos internos e externos. Face a uma situação dessas, Yellen repetiu a necessidade de gradualismo, mas não afastou a possibilidade de subir as taxas de juro, de novo, ainda este ano.

Interrogada sobre o problema de uma opção por taxas de remuneração negativas dos depósitos dos bancos no sistema da Fed - como decidiu o Banco Central Europeu e, mais recentemente, o Banco do Japão -, a presidente não excluiu essa possibilidade em caso de necessidade, mas declarou haver aspetos jurídicos que ainda não foram "plenamente investigados".

O economista-chefe do Saxo Bank, Steen Jakobsen, resumiu assim a prestação da presidente da Fed neste primeiro dia de presença no Congresso: "O seu desempenho hoje é provavelmente o pior que eu já vi em algum banqueiro central experiente!".

Os índices de Wall Street ressentiram-se das "leituras" sucessivas, contraditórias, das declarações de Janet Yellen feitas pelos investidores e inverteram a trajetória positiva verificada na abertura: no final da sessão, o Dow Jones 30 perdeu 0,62% e o S&P 500 caiu ligeiramente 0,09%. Yellen regressará amanhã ao Senado para prosseguir a apresentação semestral da política monetária da Fed.

Num contexto de riscos crescentes, as probabilidades de um novo aumento das taxas de juro pela Fed até final deste ano têm-se encolhido. Mesmo em relação à reunião de 21 de dezembro, a última do ano, as probabilidades são apenas de 26%, segundo os futuros das taxas de juro. Essa é a "leitura" do mercado que não está alinhada com o discurso oficial da Fed.

Também o aviso de um alto funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) caiu mal esta quarta-feira. O risco de se passar do momento atual caraterizado por uma "grande distorsão" para uma "disrupção global do mercado" foi apontado hoje por José Viñals, diretor do Departamento para os mercados de capitais e monetários do FMI, numa intervenção em Londres, num evento organizado pelo Financial Times. Por "grande distorsão", Viñals referia-se a um crescimento global medíocre, a políticas monetárias "assíncronas", às vulnerabilidades existentes tanto em economias desenvolvidas como emergentes, e aos riscos elevados de uma sistemicamente fraca liquidez do mercado.

Mas, do outro lado do Atlântico, as bolsas estiveram em alta. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) subiu quase 2% e os títulos dos grandes bancos europeus recuperaram. A liderar as subidas nas praças do Velho Continente, o índice MIB da Bolsa de Milão que subiu mais de 5%, depois de três sessões no vermelho. Dublin e Copenhaga saíram de seis sessões consecutivas no vermelho, incluindo uma derrocada nas duas bolsas a 8 de fevereiro.

Os índices de volatilidade desceram hoje 1,5% dos dois lados do Atlântico Norte.

Os índices de matérias-primas desceram esta quarta-feira, mas o preço do barril de petróleo de Brent, a variedade europeia de referência internacional, subiu ligeiramente. O preço do Brent fechou a cotar-se em 30,91 dólares, um aumento ligeiro de 0,28% em relação ao valor de fecho do dia anterior.