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Juros da dívida descem de máximos de quase dois anos

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos abiram esta quarta-feira a descer para 3,5% no mercado secundário, depois de terem fechado perto de 3,7% no dia anterior. É a maior descida de juros entre os periféricos do euro na abertura de hoje

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) português estão esta quarta-feira a descer em todos os prazos no mercado secundário, com destaque para os 2, 3 e 10 anos. No prazo de referência, a 10 anos, na linha de OT que vence em julho de 2026, as yields desceram, na abertura, para 3,5%, depois de ontem terem fechado em 3,67%, em níveis que já não se registavam desde abril de 2014.

A descida nas yields das OT a 10 anos soma 15 pontos base, a mais elevada nos periféricos do euro na abertura desta quarta-feira, face a descidas de 10 e nove pontos base para as yields das obrigações espanholas e italianas respetivamente. As yields das obrigações gregas descem três pontos base e as relativas às obrigações irlandesas apenas dois pontos base, no prazo de referência.

O prémio de risco da dívida portuguesa desceu de 343 pontos base no fecho de ontem para 327 pontos base, ainda assim acima de 3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. Com as yields das OT a 10 anos a ultrapassarem 3,7% durante a sessão de ontem, o prémio de risco fixou máximos de mais de dois anos. Em relação ao início do ano, quando o prémio de risco estava em 191 pontos base, o disparo já soma 136 pontos base. O prémio de risco está quase no dobro.

O nível de juros continua baixo, inferior ao registado em finais de 2009, mas o prémio de risco está no patamar do registado em setembro de 2010 antes do disparo provocado pela crise das dívidas soberanas dos periféricos da zona euro.

A dívida portuguesa poderá ter momentos de stresse esta semana com a reunião na quinta-feira do Eurogrupo (órgão dos ministros das Finanças da zona euro) para análise do "rascunho" do Orçamento de Estado português para 2016 e com a reapreciação na sexta-feira pela ISDA, a Associação Internacional de Swaps e Derivados, do caso da dívida sénior do Novo Banco que foi transferida para o BES "mau", no sentido de apurar se tal decisão do Banco de Portugal configura um evento de crédito.