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Dívida. Prémio de risco ao nível de há dois anos. Rentabilidade negativa acentua-se

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Com os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos a fecharem esta terça-feira perto de 3,7% no mercado secundário, o prémio de risco já está acima do patamar dos 3 pontos percentuais. O retorno da dívida obrigacionista desceu para -3,2%

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, atingiram esta terça-feira no mercado secundário 3,73% na linha que vence em julho de 2026. Fecharam a sessão em 3,67%, uma subida de mais de 30 pontos base em relação ao dia anterior.

Em virtude do nível muito baixo das yields das obrigações alemãs naquele prazo, o prémio de risco da dívida portuguesa subiu para 343 pontos base, o que equivale a um adicional de 3,43 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. Um diferencial com esta amplitude não se registava desde janeiro de 2014.

Recorde-se que as yields das OT a 10 anos atingiram um mínimo histórico em março de 2015 quando desceram para 1,5%. Nessa altura, o prémio de risco caiu para 128 pontos base, o nível mais baixo desde o início de 2010 antes do disparo da crise das dívidas soberanas dos periféricos do euro.

Esta terça-feira foi marcada pelas subidas das yields das obrigações portuguesas e helénicas e dos prémio de risco de Portugal e da Grécia. No caso grego, as yields dispararam para quase 11% e o prémio de risco saltou para 1074 pontos base (um diferencial de mais de 10 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã).

No mercado dos credit default swaps (acrónimo cds) a 5 anos, que seguram contra o risco de incumprimento da dívida soberana, o seu preço para a dívida portuguesa superou hoje os 300 pontos base. Fechou em 310,885 pontos base, um aumento de mais de 10% em relação ao dia anterior e de 37% relativamente ao início do mês. A maior subida hoje registada ocorreu com o preço dos cds da dívida irlandesa, que aumentou 11,7%, mas a partir de um custo baixo no patamar dos 50 pontos base.

A dívida portuguesa poderá ter novos momentos de stresse esta semana com a reunião na quinta-feira do Eurogrupo (órgão dos ministros das Finanças da zona euro) para análise do "rascunho" do Orçamento de Estado português para 2016 e com a reapreciação na sexta-feira pela ISDA, a Associação Internacional de Swaps e Derivados, do caso da dívida sénior do Novo Banco que foi transferida para o BES "mau", no sentido de apurar se tal decisão do Banco de Portugal configura um evento de crédito.

Retorno anual afunda-se em terreno negativo

A rentabilidade nas últimas 52 semanas do conjunto da dívida obrigacionista portuguesa desceu esta terça-feira para -3,2%, segundo o índice da Bloomberg. No final de janeiro, esse retorno estava em 1,36%, e no final de 2015 situava-se em 3,78%. A degradação ocorreu ao longo de janeiro e início de fevereiro, com o retorno a entrar em terreno negativo a 5 de fevereiro.

É o único caso na zona euro que regista uma rentabilidade negativa nas últimas 52 semanas. Apesar da descida desde final do ano passado do retorno para as dívidas de Espanha, Itália e Grécia, este continua em terreno positivo nos três casos. O retorno do conjunto da dívida da zona euro subiu para 1,26%.

  • Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos subiram esta manhã de terça-feira para mais de 3,5% no mercado secundário. Nos restantes periféricos do euro, estão a descer, incluindo nas obrigações gregas. Agravou-se ontem a rentabilidade negativa da dívida obrigacionista portuguesa