Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Derrocada da bolsa em Tóquio. Pânico financeiro alastra no mundo

  • 333

Os índices bolsistas nipónicos registaram esta terça-feira perdas superiores a 5%. O indicador de pânico financeiro disparou quase 30%. Juros da dívida japonesa a 10 anos caem, pela primeira vez, para terreno negativo

Jorge Nascimento Rodrigues

A Bolsa de Tóquio registou esta terça-feira uma derrocada. O índice Nikkei 225 perdeu 5,4%, uma quebra ainda maior do que as registadas no verão do ano passado aquando das derrocadas das bolsas chinesas em agosto. Desde o início de 2015, é a maior correção diária. O índice TOPIX recuou 5,5%.

A derrocada nipónica sucede a um afundamento das bolsas europeias em 3,4% na segunda-feira, com crashes nas bolsas de Atenas, Dublin e Copenhaga, e a um fecho em Nova Iorque com perdas de 1,5%. As bolsas mundiais perderam ontem 1,57%, segundo o índice global MSCI. Na semana anterior, haviam registado uma perda acumulada de 2,25%.

O índice de pânico financeiro VIX relacionado com o Nikkei disparou esta terça-feira 29,6%, muito mais do que se registou no dia anterior para os índices de volatilidade relacionados com o S&P 500 nova-iorquino e com o Eurostoxx 50 da zona euro que subiram mais de 11%. O índice VIX japonês subiu para 42,47 ienes, ainda abaixo do nível registado a 21 de janeiro passado (42,78) e a 25 de agosto do ano passado (47,01). Em agosto do ano passado, o pânico disparou com a derrocada das bolsas chinesas no dia 24. Na penúltima semana de janeiro deste ano, o pânico derivou da confuência da queda dos preços do petróleo (para mínimos do atual ciclo descendente desde junho de 2014) com as más notícias dadas pela atualização das previsões do Fundo Monetário Internacional que avisou para uma clara "degradação das perspetivas" económicas mundiais.

O abalo nos mercados financeiros asiáticos não foi esta terça-feira maior porque as bolsas chinesas, de Hong Kong, Coreia do Sul, Singapura, Taiwan se encontram encerradas em virtude dos feriados do ano novo lunar chinês. Nas restantes bolsas que continuam abertas, o índice ASX 200 australiano fechou a perder 2,9% e as bolsas dos três mercados fronteira (economias ainda não consideradas emergentes) asiáticos, Filipinas, Indonésia e Tailândia, encerraram em terreno negativo.

No mercado da dívida soberana, as yields dos títulos nipónicos a 10 anos registaram, pela primeira vez, valores negativos. Depois de terem fechado em 0,027% a 5 de fevereiro e em 0,045% a 8 de fevereiro, as yields desceram hoje para um mínimo histórico de -0,076%. Face às quebras acentuadas nas bolsas nas principais regiões do mundo, os investidores financeiros viram-se para os títulos do Tesouro de longo prazo que consideram seguros, como nos casos das obrigações alemãs, norte-americanas, japonesas e suíças, o que os leva a aceitarem taxas de remuneração cada vez mais baixas ou mesmo negativas (como nos casos das obrigações nipónicas a 10 anos e suíças a 10 e 15 anos).

No mercado petrolífero, o preço do barril de petróleo de Brent fechou a sessão asiática a cair mais de 1%. Chegou a cotar-se num mínimo da sessão em 32,69 dólares. No dia anterior fechou em 33,20 dólares e, no final da semana passada, estava em 34,06 dólares. Recorde-se que, a 20 de janeiro, o preço do Brent desceu para 27,10 dólares, um mínimo no ciclo descendente iniciado em junho de 2014.

Os futuros em Frankfurt e em Wall Street estão ligeiramente em terreno negativo.