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Bolsas. Europa e EUA fecham no vermelho pelo terceiro dia

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As praças financeiras europeias acumulam maiores perdas. Milão liderou quedas no Velho Continente. Em Wall Street, os índices Dow Jones e S&P 500 fecham ligeiramente abaixo da linha de água. Preço do Brent caiu quase 7%

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas na Europa e nos Estados Unidos fecharam esta terça-feira no vermelho pelo terceiro dia consecutivo. Mas as praças financeiras do Velho Continente acumulam maiores perdas, enquanto em Wall Street a descida foi hoje muito ligeira.

Na Europa, a bolsa de Milão liderou as quedas, com o índice MIB a perder 3,2% e com todas as praças financeiras a fecharem no negativo, mas no NYSE, em Nova Iorque, o Dow Jones perdeu, apenas, 0,08% e o S&P 500 recuou ligeiramente 0,07%. O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, fechou a cair 2,39%, o mesmo que o Ibex 35 da Bolsa de Madrid.

Ainda que não tenham estado nas primeiras filas das quedas, o índice Dax da Bolsa de Frankfurt e o FTSE 100 da Bolsa de Londres registaram perdas de 1%.

Movimento "brutal" de venda de ações na banca europeia

O epicentro da volatilidade europeia continua no sistema bancário da zona euro, com sete grandes bancos do índice Eurostoxx 50 (cinquenta principais cotadas da zona euro) a perderem mais de 3%, incluindo dois bancos italianos - Unicredit e Intesa - cujas ações cairam mais de 6%. Neste grupo inserem-se ainda o ING holandês, a Société Générale francesa, o Deutsche Bank alemão que foi envolvido em rumores dando-o como um próximo "Lehman Brothers europeu" (o que obrigou o ministro das Finanças Wolfgang Schäuble a declarar que "não está preocupado" com este banco que hoje em comunicado aos trabalhadores declarou estar "sólido como uma rocha"), o Santander espanhol e o BNP Paribas francês.

A Reuters afirmou esta terça-feira que o movimento de venda de ações dos grandes bancos europeus está a ser "mais brutal" do que aquando do início da crise financeira de 2008.

A par do problema bancário na zona euro, os analistas ficaram esta terça-feira preocupados com o andamento da economia alemã, o "motor" da zona euro. Segundo os dados oficiais hoje divulgados, a produção industrial alemã contraiu-se 1,2% em dezembro quando as previsões apontavam para um crescimento de 0,4%. O excendente da balança comercial reduziu-se de 20,5 mil milhões de euros em novembro para 18,8 mil milhões de euros em dezembro, em virtude de uma quebra inesperada das exportações. Alguns analistas interrogavam-se esta terça-feira se o "ciclo virtuoso" alemão está a dar os primeiros sinais de cansaço.

A volatilidade desceu hoje na Europa e Nos EUA. O índice VIX para o Eurostoxx europeu subiu apenas 1,86% e o índice similar para o S&P 500 norte-americano aumentou 2,5%. O que compara com as subidas de mais de 11% no dia anterior dos dois índices de pânico e contrasta flagrantemente com o disparo de hoje de quase 30% no VIX relacionado com o índice nipónico Nikkei 225.

Preço do Brent de volta aos 30 dólares

No mercado das matérias-primas foi um dia de quedas. O preço do baril de petróleo de Brent variou entre 30,28 e 33,56 dólares, fechando em 30,79 dólares, registando uma descida de 7% em relação ao dia anterior.

As cinco matérias-primas cujos preços cairam esta terça-feira mais de 4% foram o barril de Brent, o gasóleo, o óleo de aquecimento, o barril WTI da variedade norte-americana e a gasolina reformulada.

O índice de matérias-primas CRB, da Reuters, caiu 2,49% e o índice S&P GSCI recuou 3,43%.

Fed não vai fazer novo aumento das taxas de juro este ano

A turbulência financeira na Ásia e na Europa e as dúvidas sobre o andamento da economia norte-americana poderão levar a Reserva Federal norte-americana (Fed) a não realizar mais nenhuma subida das taxas de juro até ao final deste ano.

É essa a indicação do mercado de futuros das taxas de juro da Fed. A probabilidade implícita de um segundo aumento é de 0% para as duas próximas reuniões a 16 de março e 27 de abril e atinge apenas 23% para a última reunião do ano a 21 de dezembro. Recorde-se que, no início do mês, a probabilidade de subida na reunião de dezembro era de 51%.

Os analistas e os investidores vão estar atentos às declarações da presidente da Fed, a economista Janet Yellen, que testemunhará perante o Comité do Senado norte-americano quarta e quinta-feira, apresentando o relatório semestral de política monetária.