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Galp diz que “o país vai perder” com o aumento dos combustíveis

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Agravamento fiscal sobre o preço da gasolina e do gasóleo - proposto no Orçamento do Estado para 2016 - não estimula o consumo e desloca abastecimentos para Espanha, diz a Galp. “Espero que quem tenha feito estas contas esteja confortável com a decisão que tomou”

O aumento do Imposto sobre os produtos Petrolíferos (ISP) proposto no esboço do Orçamento do Estado vai afetar as vendas do sector petrolífero, os consumidores e a economia nacional, sustenta a Galp Energia na apresentação das contas realizada esta segunda-feira. "O país, como um todo, vai perder", diz o presidente Executivo da empresa, Carlos Gomes da Silva.

Este agravamento, de 6 a 7 cêntimos por litro no preço da gasolina e do gasóleo - conjugando o ISP com o IVA -, terá sobretudo impacto nas vendas de gasolina e gasóleo na zona raiana portuguesa, que podem ser deslocalizadas para os abastecimentos em Espanha, "onde os postos da Galp tentarão servir os clientes da melhor forma possível", refere Gomes da Silva.

Sem quantificar a totalidade de combustíveis que será abastecida pelos consumidores portugueses em Espanha, o presidente da Galp reconhece que o consumo só deverá diminuir na zona raiana, esclarecendo que "80% do consumo de combustíveis está concentrado na zona litoral, de Viana do Castelo a Setúbal". No entanto, considera que, pela "teoria económica, sempre que um preço sobe há uma contração da procura”.

Tal como tem acontecido sempre que há diferenças significativas entre os preços dos combustíveis em Portugal e Espanha, deverá notar-se uma nova deslocação dos consumidores para os abastecimentos em Espanha, o que se refletirá na redução de impostos cobrados em menos litros de gasolina e gasóleo abastecidos nos postos raianos portugueses.

Gomes da Silva espera que "quem tenha feito as contas ao aumento da fiscalidade esteja confortável em relação aos benefícios da decisão que tomou”, sendo certo que “o país, como um todo, vai perder”.

Depois de um período longo de retração dos consumos de gasolina e gasóleo no mercado português - sendo maior a quebra na gasolina -, os consumidores tinham começado a inverter esta tendência, incentivados pela queda dos preços de venda, que reflete a descida ocorrida na cotação internacional do petróleo e na descida das cotações dos refinados.

Assim, nos últimos quatro trimestres, os portugueses aumentaram os consumos de gasóleo - mais 4,3% - e de gasolina - mais 0,6%.