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Dívida. Prémio de risco acima de 3 pontos percentuais

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Em virtude da alta dos juros da dívida a 10 anos no mercado secundário, para níveis acima de 3,3%, e da baixa dos juros da dívida alemã, o prémio que Portugal tem de pagar para se financiar subiu para máximos de há quase dois anos

Jorge Nascimento Rodrigues

O risco do país subiu durante esta manhã de segunda-feira significativamente para níveis que não se registavam desde março de 2014. O prémio de risco da dívida portuguesa galgou os 300 pontos base, o equivalente a um diferencial de 3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos subiram para 3,38% pelas 13h30 (hora de Portugal), segundo a Bloomberg, enquanto que as yields para as obrigações alemãs, no mesmo prazo, que servem de referência, desceram para 0,24%. O prémio de risco situava-se em 314 pontos base.

A Bloomberg usa como referência a 10 anos para a dívida portuguesa a linha de OT que vence em 2026, enquanto que outras agências continuam a usar a linha de OT que vence em 2025. Mesmo, neste último caso, as yields subiram para 3,15%, um disparo de 20 pontos base em relação ao fecho de sexta-feira, e o prémio de risco ascendeu, ao início da tarde, a 292 pontos base, quase 3 pontos percentuais de diferencial.

O prémio de risco está claramente acima dos níveis registados durante o contágio da crise grega no verão do ano passado e mais recentemente, em janeiro, aquando do stresse gerado pela reunião da ISDA, a Associação Internacional dos Swaps e Derivados, que volta a reunir-se na próxima sexta-feira para discutir se a decisão do Banco de Portugal sobre a transferência de dívida sénior do Novo Banco para o BES "mau" configura um evento de crédito.

O movimento de subida das yields no prazo a 10 anos e do prémio de risco é comum aos restantes periféricos da zonas euro, com destaque para as obrigações gregas, que galgaram o limiar dos 10%, subindo 47 pontos base em relação ao fecho de sexta-feira. O prémio de risco da dívida grega subiu para 991 pontos base, quase tocando um diferencial de 10 pontos percentuais em relação ao custode financiamento a dívida alemã. As yields das obrigações espanholas e italianas subiram oito pontos base e o prémio de risco das duas dívidas aumentou 13 pontos base.

A dívida irlandesa é a menos afetada pelo stresse desta segunda-feira, com as yields das obrigações a 10 anos a subirem apenas dois pontos base e o prémio de risco a aumentar sete pontos base.

Os quatro 'PIGS' (acrónimo pejorativo para o grupo de periféricos do euro abrangendo Portugal, Itália, Grécia e Espanha) regressaram à ribalta. Os prémios de risco estão em patamares distintos, mas a trajetória de alta é similar. Para Espanha e Itália, os prémios de risco encontram-se em 140 e 149 pontos base respetivamente, num patamar claramente abaixo do relativo a Portugal que subiu para mais de 300 pontos base, e muito distante do nível de risco da Grécia que está próximo de 1000 pontos base. O prémio de risco da dívida irlandesa é baixo, situando-se em 64 pontos base, o que significa um diferencial de pouco mais de meio ponto percentual em relação ao custo de financiamento da dívida alemã.