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Cenário macroeconómico para Portugal é “demasiado optimista”, diz consultora

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Marcos Borga

A consultora britânica Capital Economics considera muito optimista o cenário macroeconómico previsto no Orçamento do Estado para 2016. Pela positiva, destaca que a Comissão Europeia “parece comprometida em manter Portugal com uma rédea muito curta”

A economia portuguesa deverá crescer muito menos do que os 1,8% previstos no Orçamento do Estado para 2016 e o défice público acabará por ser superior ao esperado, refere uma análise da consultora britânica Capital Economics.

"O Governo poderá não atingir estas metas (previstas no OE)", diz a analista Jennifer McKeown, no documento divulgado hoje.

"Apesar de a Comissão Europeia ter forçado a descida da previsão do crescimento de 2,1% para 1,8%, ainda parece demasiado optimista", frisa. "Se o crescimento for próximo de 1%, como esperamos, o défice será correspondentemente maior."

O Governo aprovou o OE para 2016 no final da semana passada, mas teve de ceder a Bruxelas para ter luz verde da Comissão Europeia (CE). "Mas a CE parece comprometida em manter Portugal com uma rédea muito curta", destaca a mesma analista na nota intitulada "Governo português luta para resistir à austeridade".

Portugal no radar dos mercados

Também nos mercados, Portugal deverá ficar debaixo da atenção dos investidores e "os juros da dívida portuguesa subiram fortemente hoje". "A yield da dívida a 10 anos está relativamente baixa, em 3,4%, mas uma nova derrapagem orçamental pode levar os custos de financiamento a subirem para níveis incomportáveis", avisa a analista.

Entretanto, lembra que "existe uma ameaça significativa de descidas de rating por parte de agências de notação financeira", que já fizeram alertas.

"O resultado é que Portugal vai permanecer sob intensa pressão para permanecer num caminho de austeridade, que vai limitar a recuperação económica", refere.

"A resistência da CE a derrapagens orçamentais em Portugal sugere que nem Espanha nem a Grécia deverão conseguir avançar muito no impulso contra a austeridade", conclui.