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Rendas na Baixa do Porto crescem 100%

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A Avenida dos Aliados está entre as mais caras da Baixa do Porto. Aqui, os preços duplicaram

Sérgio Granadeiro

O turismo está a estimular a abertura de lojas, provocando pressão nas rendas

Marisa Antunes

Jornalista

As rendas das lojas localizadas no centro histórico do Porto são as que mais subiram em 2015. Contas feitas pela consultora JLL mostram que na Baixa da Invicta o metro quadrado é cada vez mais disputado pelas marcas internacionais, bem atentas ao fenómeno do turismo, estando dispostas a pagar €50 por m2 nas localizações prime. Este valor representa um acréscimo de 100% em relação a 2014.

Em conferência realizada na quarta-feira sobre o balanço do sector, Pedro Lancastre, diretor-geral da JLL, fala de um “dinamismo crescente no mercado de retalho do Porto, principalmente na Rua de Santa Catarina, zona dos Clérigos e Aliados”. Movimentações que deverão até acentuar-se, “fazendo de 2016 o ano de consolidação do comércio de rua no Porto”.

Uma euforia no retalho que se replica também um pouco por todas as zonas de maior procura no centro de Lisboa. O Chiado apresenta atualmente as rendas mais elevadas do país com €120/m2 (€110 em 2014, um acréscimo de 9%), seguido da Avenida da Liberdade com €90/m2 (€85/m2 em 2014, o equivalente a um aumento de 6%).

As lojas do Príncipe Real registam também uma procura significativa que está a provocar alguma pressão nas rendas (aumentou 14% de €35 para €40/m2). Mas em Lisboa, a zona da Baixa é, sem dúvida, aquela onde as rendas mais subiram: 42%. Dos €60 por m2 a que se arrendavam os espaços em 2014 passou-se para €85, segundo o levantamento da JLL.

Rua Augusta no radar dos investidores

Mas no conjunto das várias ruas que compõem a Baixa há uma artéria que se destaca pela sua localização e pelo seu caráter pedonal, como realça Patrícia Araújo, diretora do departamento de retalho da JLL: “A Rua Augusta é aquela, em Lisboa, onde passam mais pessoas. Porém, há muito pouco produto. A procura é elevada e daí o facto das rendas terem subido tanto. Foi, de facto, a zona onde as rendas mais subiram”.

Lembra a responsável que esta rua tem cada mais “marcas internacionais e nacionais a querer conquistar um espaço”, estando previstas algumas novidades em termos de aberturas já durante o primeiro semestre deste ano.

O terminal de cruzeiros que deverá estar terminado no próximo ano, a Praça do Comércio, a Ribeira das Naus ou o Mercado da Ribeira, locais na rota dos turistas, vão desembocar na Rua Augusta e nas suas paralelas, o que está a provocar muitas movimentações junto dos investidores que querem apostar não só no retalho, mas também no residencial de luxo e na hotelaria. Patrícia Araújo confirma que também na Rua do Ouro começam a surgir imóveis para ser transacionados para reabilitar, estando o piso térreo destinado ao comércio de rua.

No estudo da JLL, a única artéria que sofreu descidas nos preços do m2 é a Rua Castilho onde os valores-prime não passam dos €30, uma descida de 33% em relação a 2014.

Na conferência, Pedro Lancastre reforçou ainda que as perspetivas para 2016 ao nível global do investimento imobiliário (comercial e residencial) deverá alinhar-se com os volumes alcançados em 2015 (€15 mil milhões, uma estimativa da APEMIP). O retalho deverá, à semelhança do ano passado, voltar a ter mais preponderância.

De entre as novidades esperadas para o mercado imobiliário este ano, Pedro Lancastre fala ainda do fim do impasse relativamente à transação de grandes terrenos como o da Feira Popular e o das Amoreiras Prime (ao lado do Hotel D. Pedro), à venda de portefólios inteiros das entidades bancárias, fundos e seguradoras, a consolidação do residencial de luxo e a continuação do bom desempenho no mercado dos escritórios.