Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsas mundiais perdem mais de 2% na primeira semana de fevereiro

  • 333

Balanço semanal. Mercados de Nova Iorque foram os mais abalados. Milão, Frankfurt e Nasdaq lideraram quedas semanais. Pânico financeiro disparou em Tóquio

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais perderam 2,25% da sua capitalização nesta primeira semana de fevereiro, segundo o índice MSCI global.

A maior queda semanal concentrou-se nos mercados financeiros de Nova Iorque, com o índice MSCI para os Estados Unidos a perder 3,2%, à frente da Europa e da Ásia Pacífico, cujos índices MSCI caíram 1,9% e 0,79% respetivamente. O grupo dos mercados emergentes registou uma queda ligeira de 0,37%.

Em termos de índices bolsistas, as maiores correções da semana ocorreram em Milão com o MIB, que perdeu 7,5%, em Nova Iorque com o Nasdaq composto (na bolsa das tecnológicas), que recuou 5,4%, e em Frankfurt com o Dax, que caiu 5,2%.

Com quedas semanais superiores a 4% incluem-se, ainda, o CAC 40 de Paris, o SMI de Zurique e o AEX de Amesterdão. O Nasdaq, só na sexta-feira, perdeu 3,44%, com 12 das tecnológicas cotadas a caírem mais de 20%. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, perdeu 3% na primeira semana de fevereiro.

O problema italiano

Milão destacou-se no sentimento negativo. A bolsa italiana reflete o problema com a banca transalpina que, em janeiro, foi a que apresentou o pior desempenho na Europa, segundo o Citi Research. Os bancos italianos passaram de “ouro para criptonita”, diz o Citi, entre janeiro de 2015 e janeiro de 2016. “Os movimentos recentes nos preços das ações não estão ligados apenas a dados fundamentais, mas, também, estão a ser influenciados por perda de confiança”, refere a nota de análise. A liderar as quedas semanais na bolsa milanesa, a Banca Popolare Emilia Romagna cujas ações perderam mais de 18%.

De salientar ainda, a queda do índice SMI helvético, afetado fortemente pela derrocada de quase 17% das ações do Crédit Suisse, que anunciou um prejuízo líquido recorde para 2015 de 2,94 mil milhões de francos suíços (cerca de 2,7 mil milhões de euros), o primeiro desde 2008.

Escapou à maré vermelha semanal o grupo dos mercados de fronteira – economias que não são, ainda, consideradas emergentes – que registou um ganho de 2,65%, segundo o índice MSCI respetivo. As bolsas de Jacarta e Riade lideraram as subidas nos principais mercados de fronteira.

Volatilidade e pânico de volta

O pânico financeiro reapareceu, esta semana, em Tóquio, Wall Street, na Europa e na China, ainda que atingindo níveis que continuam distantes do pico mais recente em final de agosto do ano passado.

O índice de volatilidade, VIX no acrónimo, com maior subida foi o relacionado com o Nikkei da Bolsa de Tóquio, que registou um disparo de 27,4%. Os índices de volatilidade ligados ao Eurostoxx europeu e ao S&P 500 de Wall Street subiram perto de 10%. A menor subida registou-se com o índice relacionado com as bolsas chinesas que aumentou 5,1%.

O analista norte-americano Douglas Short deixa a interrogação, ao analisar a evolução recente do VIX relacionado com o índice S&P: “Será que um aumento posterior da volatilidade ficará correlacionado com uma correção [bolsista] ainda mais profunda? Ou o pior já passou?”.

Ciclo da derrocada do preço do petróleo já terminou?

Nos mercados de matérias-primas, as maiores quedas semanais de preços registaram-se para a gasolina reformulada e o gás natural, com uma correção superior a 10%.

O índice de preços de matérias-primas CRB, da Thomson/Reuters, que abrange 19 commodities, caiu 1,07% durante a semana, e o índice S&P GSCI, que abrange 24, recuou 0,87%. O primeiro índice teve uma queda de 57,9% en 2014 e 2015 e o segundo índice registou uma descida de 65,98% naqueles dois anos. O impacto negativo nas economias que dependem da exportação de matérias-primas tem sido significatico, e tanto maior quanto menor for a diversificação de exportações e a existência de almofadas (por exemplo, fundos de riqueza soberanos).

Um estudo publicado esta semana pelo Fundo Monetário Internacional revelava que uma queda de 50% nos preços das matérias primas provoca um desvio padrão negativo de 1,1 na taxa de crescimento real do PIB, 0,3 nas receitas governamentais em percentagem do PIB, 1,6 na poupança interna em percentagem do PIB, e um aumento no desvio padrão de 1,6 na dívida denominada em moeda estrangeira em percentagem do PIB e 0,17 na taxa de desemprego. O estudo de Tidiane Kinda, Montfort Mlachila e Rasmané Ouedraogo abrangeu 71 países exportadores de matérias-primas dos grupos de economias emergentes e em desenvolvimento, incluindo Angola e Brasil.

O preço do barril de petróleo de Brent, a variedade europeia de referência internacional, perdeu 1,8% durante a semana, fechando em 34,13 dólares, ainda assim claramente acima do mínimo de 27,10 dólares registado a 20 de janeiro. Para alguns analistas, esse mínimo em janeiro marcaria o ponto mais baixo do ciclo de descida dos preços iniciado em julho de 2014, com uma derrocada depois de ter atingido um pico de mais de 100 dólares por barril. Para outros, a descida vai continuar, pois o quadro fundamental marcado por um excesso de oferta de crude não se alterou e as tensões geopolíticas dentro da própria OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) também não abrandaram.

Os rumores sobre a eventualidade de uma “coordenação” entre o cartel da OPEP e a Rússia para um corte na produção diária continuaram a alimentar subidas episódicas do preço, como aconteceu na última semana de janeiro e, esta semana, a 3 de fevereiro.

As maiores subidas semanais de preços nas matérias-primas registaram-se para o ouro e a prata que se valorizaram mais de 5%.

  • Balanço da semana. Portugal destacou-se pela maior subida dos juros, do prémio de risco e do custo dos seguros contra o incumprimento entre os periféricos do euro. Itália e Espanha também estiveram em foco