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Têxtil. Cada feriado "retira 50 milhões às exportações"

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Lucília Monteiro

A Associação Têxtil e Vestuário de Portugal fez as contas e diz que cada feriado a meio da semana corta 50 milhões de euros às exportações têxteis

João Costa, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), fez as contas e concluiu que um feriado a meio da semana “reduz em 50 milhões de euros as exportações do sector”. E o custo de produção de cada peça fica agravado em 2,5%. Se o feriado cair junto ao fim de semana o efeito nas exportações e custos de produção reduz-se para metade.

Para o efeito do aumento so salário mínmimo, a ATP não fez contas, mas lembra o efeito que ele tem na tabela salarial, impulsionando os salários de todas as categorias e no pagamento de remunerações acessórias e na cadeia de encargos sociais.

A fileira têxtil exportou em 2015 cerca de 4,9 mil milhões de euros.

Cenário fantasioso e irrealista

João Costa está muito pessimista face ao rumo que o páis está a seguir. Diz que o Orçamento de Estado assenta “em previsões de crescimento fantasiosas e irrealistas e sofre de criatividade excessiva”. No fim, “as contas não poderão bater certo”, diz.

“Como se pode prever a redução de 600 milhões de euros nos custos de funcionamento do Estado, quando as medidas anunciadas vão, precisamente, em sentido contrário?”, interroga o industrial.

João Costa receia que o Governo vá “ asfixiar famílias e empresas com mais carga fiscal, fazer crescer a despesa, aumentar os impostos e reforçar a intervenção do Estado na economia”. E todos estes efeitos “são nefastos para o crescimento económico”.

Mais consumo

Já Fortunato Frederico, presidente da associação dos industriais de calçado (APICCAPS), está mais otimista. As medidas do Governo “impulsionam o consumo e haverá mais dinheiro na economia - e isso é um boa notícia”. “Temos de nos esforçar para dar certo e o país ter sucesso”, acrescenta o empesário.

Fortunato Frederico está também preocupado com os sinais de que é preciso trabalhar menos e preferia que as medidas para reverter a austeridade “fossem mais espaçadas, para não se passar do oito para o 80”. Mas o Governo está a cumprir “as promessa eleitorais e temos de respeitar isso”, diz o industrial.