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Rentabilidade anual da dívida passa a negativa

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Balanço da semana. Portugal destacou-se pela maior subida dos juros, do prémio de risco e do custo dos seguros contra o incumprimento entre os periféricos do euro. Itália e Espanha também estiveram em foco

Jorge Nascimento Rodrigues

A rentabilidade da dívida obrigacionista portuguesa nas últimas 52 semanas passou a terreno negativo esta semana, segundo o índice da Bloomberg para a dívida soberana. De um retorno anual positivo de 1,36% a 29 de janeiro caiu para -0,07% a 5 de fevereiro.

É o único periférico do euro com um retorno negativo em termos anuais. A rentabilidade anual do conjunto da dívida obrigacionista da zona euro é de 1,04%. A mais elevada continua a registar-se com a dívida obrigacionista grega, que se situa em mais de 11%. Em termos mensais, o retorno é atualmente negativo para as dívidas portuguesa, espanhola e italiana.

No mercado secundário da dívida, as yields das Obrigações do Tesouro (OT) agravaram-se esta semana. No prazo de referência, a 10 anos, tomando em consideração a linha de OT que vence em 2026, as yields subiram de 2,8% a 29 de janeiro para 3,13% a 5 de fevereiro, uma subida de 28 pontos base, o aumento mais elevado nos periféricos.

Grande parte desse aumento registou-se esta sexta-feira com o impacto negativo da declaração da Comissão Europeia que deixou passar o “rascunho” de Orçamento de Estado português para 2016, mas com um aviso de que contem “riscos de incumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento”.

No mesmo prazo de referência, as yields das obrigações espanholas aumentaram 15 pontos base e as das obrigações italianas subiram 16 pontos base. Em contraste, as yields das obrigações alemãs desceram quatro pontos base durante a semana.

Sinal de alarme no prémio de risco e no preço dos cds

O nível de yields no patamar dos 3% para a dívida portuguesa a 10 anos é historicamente baixo, mas o sinal de alarme está na subida do prémio de risco, ou seja no aumento do diferencial entre o custo de financiamento da dívida portuguesa e o relativo à dívida alemã, que é tomada como referência na zona euro. Esse prémio subiu de 255 pontos base a 29 de janeiro para 284 pontos base a 5 de fevereiro, um aumento de 29 pontos base. O que significa que aquele diferencial passou para mais de 2,8 pontos percentuais. Está claramente acima do pico do prémio de risco no verão do ano passado aquando do contágio da crise grega antes de ter sido fechado o terceiro resgate a Atenas.

O prémio de risco subiu, esta semana, 20 pontos base para a dívida italiana e 19 pontos base para a espanhola.

O stresse sobre a dívida portuguesa faz-se sentir também no mercado dos credit default swaps (acrónimo cds), ou seja nos contratos para cobertura do risco de incumprimento da dívida num horizonte de cinco anos. O preço dos cds subiu de 222,39 pontos base para 250,71 pontos base entre 29 de janeiro e 5 de fevereiro. Este último preço significa que o comprador do cds paga mais de 2,5% do valor a cobrir.

Foi a maior subida semanal em termos relativos, logo seguida do aumento do custo dos cds para a dívida italiana, que passou de 115,6 para 130,1 pontos base naquele período.

  • Os juros da dívida portuguesa a 10 anos fecharam acima de 3% e o prémio de risco subiu para níveis não registados desde o verão de 2014, ultrapassando largamente o pico de 2015 aquando da crise grega. Para além de Portugal, estão sob stresse Grécia, Espanha e Itália

  • O juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos subiram no mercado secundário para 3,13% depois da Comissão Europeia deixar passar o "rascunho" de orçamento português para 2016 com o aviso de conter ainda "riscos de incumprimento do Pacto de Estabilidade e Crescimento". Prémio de risco em máximo desde 2014