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Conserveira A Poveira suspeita de contrafação

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Lucília Monteiro

A Poveira está envolvida numa supeita de utilizar a marca da sua concorrente Pinhais. A empresa nega

A Poveira, uma conserveira resgatada há quatro anos da falência por um grupo de investidores liderado pelo atual presidente da Câmara do Porto Rui Moreira, é suspeita do crime de contrafação de uma marca do seu concorrente Pinhais, de Matosinhos.

O filho do autarca, Gonçalo Moreira, é um dos administradores. No conselho de administração está também Sérgio Real, atual presidente da Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe.

Uma inspeção da ASAE, há dois meses, verificou que a Poveira ulizava em latas de sardinha rótulos da marca Jamis, pertencente à PInhais, destinada ao mercado austríaco. Na altura, a ASAE apreendeu 82 mil latas de sardinha, o equivalente a dois contentores, avaliadas em 75 mil euros e 200 mil rótulos da marca.

De quem é a marca?

A Poveira desvaloriza e nega a acusação. Primeiro, esclarece que a suspeita não envolve contrafação mas sim “venda, circulação e/ou ocultação de produtos contrafeitos”, o que configura “uma situação mais leve”.

Depois, garante que desconhecia a existência da marca Jamis, acreditando que pertencia ao cliente que lhe fez a encomenda. Após a atuação da ASAE, contactou "de imediato" o cliente que “enviou um documento comprovativo do registo da marca, bem como a autorização para comercializar tais conservas” no mercado austríaco.

A conserveira “agiu em total boa-fé, limitando-se a dar seguimento à encomenda, sob uma marca que desconhecia”, comenta a administração. A Poveira “aguarda tranquilamente as conclusões do processo.

Batalha de conserveiras

A Pinhais confirmou ao Expresso o incidente de contrafação e que a marca Jamis é do seu portefólio. Mas alegou desconhecer os detalhes por ser “um caso que corre no âmbito da ASAE”. Adiantou apenas a Jamis substitui no mercado austríaco a Nuri, outra marca da Pinhais que só utilizava peixe fresco. Com a escassez de peixe, a Pinhais recorre na Jamis a peixe congelado.

No centro desta querela entre A Poveira e a Pinhais encontra-se a Glatz, uma distribuidora austríaca de produtos alimentares.

A Poveira alega que a visita de dezembro dos inspetores da ASAE “partira de uma denúncia” de que estaria “alegadamente a embalar os produtos numa marca pertencente a outra fábrica”. A acusação apanhou a conserveira de surpresa, por envolver uma encomenda “de um dos clientes mais antigos, que é parceiro da empresa há décadas”.

Quando iniciou funções na Câmara do Porto, Rui Moreira cessou todos os cargos que exercia, incluindo o de administrador da Expoconser - Exportadora de Conservas, que detém o capital de A Poveira. Permaneceu acionista da Expoconser com uma participação residual, cedendo ao filho a maioria da sua posição.

Na Expoconser, que investiu cinco milhões e euros no relançamente de A Poveira, a família Moreira tem como parceiros Rui Fereira Marques e António Cunha, agrupados na CMM Investments.