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BPI. "Todos negoceiam com todos até ao último minuto"

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Fernando Ulrich acredita em acordos de última hora entre Isabel dos Santos e o Caixabank que resolva o impasse em que o banco caiu

Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, compara a situação que se vive no bancos às maratonas negociais das cimeiras europeias em Bruxelas “em que todos negoceiam com todos até ao último minuto”.

Ulrich acredita que um acordo entre os dois principais acionistas, o Caixabank e a Santoro, de Isabel dos Santos, resolva o impasse em que o BPI se encontra. Esta sexta-feira, a Santoro inviabillizou a cisão dos ativos africanos apresentada pelo conselho de administração, beneficiando do limte de votos (20%) que impede o Caixabank de fazer valer a sua posição de 44,1%.

Críticas à Santoro

Se Artur Santos Silva, presidente do conselho de administração do BPI, notara que o modelo de cisão “era o que melhor servia os interesses do BPI e do país”, Ulrich criticou abertamente a posição da Santoro:“ Não foi apresentado um único argumento que justificasse a rejeição da proposta”.

Ulrich acrescentaria que a Santoro chegara a concordar com o modelo, desde que o Caixabank cedesse uma parte da sua posição na nova holding e permitisse um maior equilíbrio entre os principais acionistas. O Caixabank aceitou, mas a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) avisou que a solução exigia o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) pela Santoro.

Soluções viáveis

Mário Leite Silva, representante da Santoro na Assembleia Geral (AG), explicou que a avaliação que se deve fazer “não é se o projeto é bom ou mau, mas se é viável”. E como se tornara evidente, com a rejeição da Unitel, parceiro do BPI no BFA, “o modelo da cisão não é exequível“. “Devemos, por isso, apronfundar o diálogo e encarar alternativas que se revelem viáveis”, acrescentou.

A agenda da Santoro no BPI “é única e exclusivamente a rentabilização do seu investimento”, disse Mário Leite Silva ao Expresso, numa resposta a Ulrich que dera conta da existência de acionistas “a defender outros interesses”, exteriores ao BPI.

Num ponto todos os interveniente estão de acordo. As negociações são complexas e há vontade para se encontrar uma solução de consenso.

No balanço da AG, Ulrich manifestou a esperança de que “os diálogos frequentes entre os acionistas de maior peso e o espírito construtivo que revelam” possam conduzir a um acordo de último minuto até 10 de abril, data limite do BCE para que o BPI apresente uma solução para a cobertura dos riscos angolanos.