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Prémio de risco aumenta e regressa a níveis de 2014

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Os juros da dívida portuguesa a 10 anos fecharam acima de 3% e o prémio de risco subiu para níveis não registados desde o verão de 2014, ultrapassando largamente o pico de 2015 aquando da crise grega. Para além de Portugal, estão sob stresse Grécia, Espanha e Itália

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT), no prazo de referência a 10 anos, fecharam esta quinta-feira no mercado secundário em 2,83% na linha que vence em outubro de 2025 e 3,029% na linha que vence em julho de 2026. Em trajetória de alta estiveram, também, as yields das obrigações gregas, que foram as que mais subiram na zona euro, espanholas e italianas. Segundo a Datosmacro, as subidas foram de 14 pontos base para as obrigações gregas, 11 pontos base para a OT que vence em 2025, 10 pontos base para as obrigações espanholas e nove pontos base para as obrigações italianas.

Estes níveis de juros continuam a ser historicamente baixos para as obrigações portuguesas e seriam muito mais elevados se não houvesse a política monetária que tem estado a ser seguida pelo Banco Central Europeu, como já sublinhou o Banco de Portugal, no seu Boletim Económico de dezembro passado. O problema centra-se no sinal que está a ser dado pela subida do prémio de risco.

O prémio de risco subiu para os periféricos do euro, com destaque para a Grécia, Portugal, Espanha, Itália e Irlanda, por ordem decrescente de aumento em pontos base. O prémio de risco da dívida portuguesa que vence em 2025 subiu esta quinta-feira para 252 pontos base, o equivalente a um diferencial de mais de 2,5 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. Este nível de risco é superior ao verificado aquando do pico da crise grega no verão do ano passado. Se for tomada como referência a dívida que vence em 2026, o prémio de risco subiu para 272 pontos base, largamente acima do pico do verão do ano passado, e em níveis do verão de 2014.

Também o custo dos contratos para cobertura do risco de incumprimento da dívida num horizonte de cinco anos – designados por credit default swaps (acrónimo cds) - subiu esta quinta-feira para Espanha, Itália e Portugal. O preço dos cds para a dívida portuguesa subiu para 245,295 pontos base (o que significa que o comprador paga quase 2,5% do valor a cobrir), um aumento de 0,6% em relação ao dia anterior. Registaram-se aumentos superiores a 2% para os preços dos cds para Espanha e Itália, que fecharam em 98,87 e 129,795 pontos base respetivamente.

O acrónimo "PIGS" regressou

As previsões de inverno da Comissão Europeia, hoje divulgadas, falam de perspetivas económicas “muito incertas” e de riscos mundiais que “têm vindo a aumentar”. Bruxelas reviu em baixa as taxas de crescimento da zona euro para 2016 e 2017. Os pontos de preocupação da CE estão centrados num eventual “ajustamento desordenado” na China, no abrandamento nas economias emergentes, em uma dinâmica fraca do comércio mundial e no clima de incerteza política e geopolítica.

Na zona euro têm estado em destaque nos últimos dias a reestruturação bancária em Itália, as exigências de Bruxelas em relação ao orçamento português para 2016, as negociações para a formação de um novo governo de iniciativa do PSOE em Espanha, a incerteza sobre os resultados eleitorais na Irlanda a 26 de fevereiro e o andamento do primeiro exame ao terceiro resgate na Grécia que se iniciou esta semana. Os comentários do ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, proferidos em Hamburgo, de que teria sido preferível para a Grécia ter optado por sair do euro caíram como uma bomba em Atenas, fazendo regressar o fantasma da Grexit.

O acrónimo "PIGS" (pejorativo para o grupo de periféricos formado por Portugal, Italia, Grécia e Espanha) regressou com a rede de notícias europeia EurActiv a titular "Os PIGS ameaçam as perspetivas de crescimento da União Europeia, avisa a Comissão", referindo-se ao relatório de previsões de inverno.

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