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Draghi diz que BCE não se rende. Bolsas na Europa em alta

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Apesar do preço do barril de petróleo estar, de novo, a descer, as principais praças financeiras europeias estão a registar ganhos. O presidente do Banco Central Europeu criticou esta quinta-feira duramente os críticos da sua política monetária

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de um fecho “misto” na Ásia Pacífico, com a importante bolsa de Tóquio a permanecer no vermelho, as principais praças financeiras da União Europeia estão esta quinta-feira de manhã a registar ganhos, com Amesterdão, Londres, Milão e Madrid a liderarem as subidas acima de 1%. O PSI 20, índice da Bolsa de Lisboa, está em linha com a trajetória positiva, e sobe mais de 1%. O índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas na zona euro) avança mais de 1%. A bolsa moscovita lidera as subidas na Europa com o índice RTSI (denominado em dólares) a subir mais de 4% e o índice MICEX (denominado em rublos) a ganhar mais de 2%.

A alimentar o otimismo na abertura da sessão europeia surgem hoje as declarações de Mario Draghi de que o Banco Central Europeu (BCE) “não se rende” ao quadro de inflação baixa e que não ficará inativo como alguns críticos recomendam.

Draghi, o presidente do BCE, proferiu em Frankfurt, esta manhã, uma conferência no Deutsche Bundesbank, o banco central alemão, prosseguindo a pedagogia contra os alegados benefícios da deflação (queda continuada dos preços no consumidor) ou mesmo da desinflação (redução continuada da taxa de inflação) e criticando os que advogam uma postura de “esperar para ver” até que a inflação regresse pelo seu pé à meta de 2%. Aos que advogam inclusive uma inversão da política monetária, descontinuando as medidas de estímulos, o italiano recordou o erro da Reserva Federal norte-americana (Fed) em 1936 e 1937 ao apertar a política monetária, o que conduziu a uma recaída na recessão.

Esta defesa da política monetária do BCE e da necesidade de não baixar os braços face às "forças globais" que estão a empurrar a inflação para próximo de 0% aponta para a probabilidade de que a equipa de Draghi possa decidir um novo corte na taxa de remuneração dos depósitos na próxima reunião em março. Em dezembro passado,o BCE decidiu cortar a taxa para -0,3%, mas os analistas esperavam um corte maior, para -0,4%.

Depois de uma subida ligeira na sessão asiática, o preço do barril de petróleo de Brent, a variedade europeia de referência internacional, está, de novo, a descer em direção ao patamar dos 34 dólares. O preço do Brent subiu ontem mais de 8% alimentado pelas declarações do ministro dos Estrangeiros russo de que uma “coordenação” entre a OPEP e a Rússia para um corte da produção é possível. Naturalmente, a referida coordenação implicaria que, em primeiro lugar, dentro do cartel, Irão e Arábia Saudita, em guerra diplomática aberta, se colocassem de acordo. A subida do preço do crude juntou-se ontem à especulação de que a Fed poderá não decidir mais nenhum aumento das taxas de juro até final deste ano.

Os futuros em Wall Street continuam em terreno positivo.

  • Com a continuação da subida do preço do petróleo e a expetativa de que a Fed norte-americana não volte a subir, tão cedo, as taxas de juro, as bolsas asiáticas animaram-se esta quinta-feira. Mas a bolsa nipónica prosseguiu na trajetória negativa