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Bolsas reagem mal a revisões em baixa de Bruxelas

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O crescimento na zona euro vai ser menor e a inflação não vai superar 0,5% este ano. Grandes praças financeiras que haviam aberto em terreno positivo, passaram a registar perdas esta quinta-feira. Juros da dívida soberana em alta

Jorge Nascimento Rodrigues

A Comissão Europeia reviu em baixa as suas previsões para o crescimento do PIB e da inflação na zona euro em 2016. Segundo as projeções de inverno de Bruxelas publicadas esta quinta-feira, o PIB da zona euro vai crescer 1,7% em 2016, menos uma décima do que na previsão anterior. A inflação naquela zona monetária deverá situar-se em 0,5% este ano, metade da previsão anterior. A nova taxa de crescimento do PIB corresponde a um aumento de uma décima em relação ao crescimento em 2015. No caso da inflação, trata-se de um ligeiro aumento em relação ao ano passado.

Bruxelas alega que as perspetivas económicas são “muito incertas” e que os riscos mundiais “se têm vindo a acentuar”. A Comissão Europeia aponta o dedo a um “desajustamento desordenado na China”, a um menor crescimento nas economias emergentes, a um fraco dinamismo do comércio mundial e a um clima de incerteza política e geopolítica. Da parte, da política orçamental, admite que venha a ser “ligeiramente mais favorável à retoma económica”. Bruxelas prevê que o consumo privado continua a ser o principal motor do crescimento.

Também, o Banco de Inglaterra, no seu relatório trimestral publicado hoje aquando da reunião de política monetária, reviu em baixa o crescimento do Reino Unido para 2016 e 2017 e frisou que a inflação baixa vai permanecer mais tempo do que o previsto, e, por essa razão, o banco decidiu adiar, uma vez mais, uma subida das taxas de juro que estão em mínimos históricos.

Reviravolta nas bolsas europeias

Na Europa, a situação das bolsas mudou esta manhã. Tendo aberto em terreno positivo, uma parte das principais praças financeiras resvalou para o vermelho. Pelas 14h (hora de Portugal), registavam perdas as bolsas de Frankfurt, Milão, Paris e Zurique, com o índice SMI desta última a liderar as quedas, com uma descida de mais de 1,9%. O índice Dax alemão perdia mais de 1%.

Em terreno positivo, mas com crescimentos modestos, mantinham-se as bolsas de Amesterdão, Londres e Madrid. Os futuros em Wall Street estavam em terreno negativo, indiciando uma abertura das bolsas de Nova Iorque no vermelho pelas 14h30 (hora de Portugal).

O PSI 20, índice da bolsa de Lisboa, estava no vermelho. Entre os periféricos do euro, o índice de Atenas registava a maior queda bolsista europeia, com uma perda de quase 4%.

O preço do barril de petróleo de Brent cotava-se em 35 dólares pelas 14h, depois de ter descido até 34,22 dólares pelas 13h. A trajetória deste preço está muito volátil.

Juros da dívida em alta

No mercado da dívida soberana, as yields das obrigações no prazo de referência a 10 anos estão em alta em toda a zona euro, com destaque para as maiores subidas nos casos das obrigações gregas, portuguesas (Obrigações do Tesouro, OT), espanholas e italianas.

As yields das OT, naquele prazo de referência subiram esta quinta-feira sete pontos base para 2,8% no caso da linha de OT que vence em outubro de 2025; tomando por base a linha recente de OT que vence em julho de 2026, a subida foi de apenas 1 ponto base para 2,94%.

Apesar das yields das obrigações alemãs no mesmo prazo terem subido, o prémio de risco da dívida portuguesa aumentou para 249 pontos base (tomando como referência a linha de OT que vence em 2025), o equivalente a uma diferencial de quase 2,5 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. Tomando como referência a linha de OT que vence em 2026, o prémio subiu para 263 pontos base. Em ambos os casos, o risco está acima do registado em junho do ano passado, aquando do contágio da crise grega.

O contraste entre o que se passa com o financiamento das dívidas dos países do centro do euro e o que ocorre com as dívidas dos periféricos ficou patente, de novo, esta quinta-feira. Num leilão de obrigações a 10 anos, o Tesouro espanhol teve de pagar uma taxa de remuneração de 1,694% superior a 1,461% na operação similar anterior. Pelo contrário, o Tesouro francês pagou uma taxa de 0,67% no leilão de obrigações no mesmo prazo, inferior à de 0,86% em operação anterior similar.