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2000 transportadoras vão discutir aumento do gasóleo

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São 2000 empresas, dizem-se o "motor das exportações", representam 70% dos camiões existentes em Portugal e vão fazer uma reunião nacional no fim de semana de 13 e 14 de fevereiro para avaliar o grau de descontentamento às medidas do Orçamento de Estado para 2016

"Não podemos ser só nós a pagar toda a austeridade, nem sermos só nós a suportar os acordos negociados no Orçamento de Estado", diz Gustavo Paulo Duarte, presidente da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), anunciando que "vamos fazer uma reunião nacional no fim de semana a seguir ao Carnaval para sabermos o que pensam as 2000 empresas associadas sobre este agravamento de impostos que se concentra no nosso sector".

Quando o sector foi solidário com o buzinão na ponte, "ganhámos algumas medidas que vinham sendo propostas ao longo de muito tempo, mas que nunca nos tinham sido consagradas, só que, posteriormente, voltámos a perder tudo, e hoje estamos numa situação desfavorecida face à concorrência internacional, que tem mais e melhores condições que nós", refere Gustavo Paulo Duarte.

"Somos o motor das exportações e trabalhamos mais fora de Portugal do que no mercado nacional, pelo que não faz sentido estarmos a abastecer gasóleo que custa mais 17 a 20 cêntimos por litro que o preço normal em Espanha", diz Gustavo Duarte.

"Além disso, em Espanha há gasóleo profissional o que aumenta a diferença de preços em relação ao que pagamos em Portugal", explica o presidente da ANTRAM.

"Só as 15 maiores empresas do nosso sector - quem tem 2000 empresas associadas - abastece cerca de 20 milhões de euros por mês de gasóleo, um valor que incorpora 62% de impostos, por isso não é justo, nem lógico que ainda sejamos mais agravados, mais carregados em impostos e, se isso acontecer, a diferença de preços para o gasóleo abastecido em Espanha será de um euro por cada quatro litros de gasóleo", diz o responsável associativo.

"As questões técnicas devem ser debatidas de forma construtiva, mas parece que em Portugal só se entende um discurso diferente, e se for esse o entendimento manifestado por todos os associados daqui a dois fins-de-semana, será esse o diálogo que a ANTRAM adotará", refere Gustavo Duarte. "Vamos ver o que dizem os nossos associados", refere.

"Em último caso, se for incomportável concorrermos com as empresas espanholas, não teremos outra alternativa senão mudarmos as nossas empresas para Espanha e passarmos a atestar a totalidade dos nossos camiões nos postos de abastecimento espanhóis", comenta o presidente da ANTRAM.