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Equipa do Santander deu com o nariz na porta quando tentou tomar posse do Banif

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Nuno Botelho

Afinal, o Santander Totta só detém 20% dos imóveis do Banif

A história é recambolesca mas demonstra bem como os casos em que a banca portuguesa tem estado envolvida nos últimos anos são difíceis de deslindar e estão cheios de episódios desconcertantes. Esta quarta-feira, dia em que os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso Banif se iniciam, ficou a saber-se que o Santander Totta, apesar de ser o novo proprietário do Banif, afinal não é o dono da sua sede.

Como conta o "Público" na sua edição desta quarta-feira, algumas horas depois do anúncio da venda do Banif ao Santander (feito na noite de domingo de 20 de dezembro), uma equipa de quatro pessoas do grupo espanhol chegou, logo ao início da manhã de segunda-feira, à Avenida José Malhoa (Lisboa), para tomar posse do edifício sede do banco que acabara de comprar.

Liderada por Vieira Monteiro, presidente do Santander Totta, o grupo chegou ao 10.º piso do edifício e pediu a todos os gestores do Banif ali presentes que abandonassem os três andares ocupados pela anterior administração, presidida por Jorge Tomé. Precisavam de espaço para trabalhar, justificaram.

Contudo, Vieira Monteiro haveria de ser informado, mais tarde, que todos os espaços afetos à exploração, incluindo a sede e as agências, estão debaixo do fundo de investimento imobiliário Banif Property e, como tal, não pertencem ao Santander.

Até mesmo o símbolo que o Santander já tinha colocado no elevador do prédio da Avenida José Malhoa, para mostrar sem equívocos quem era agora o novo dono do Banif, teve de ser retirado.

Depois de ter comprado os ativos bons do Banif, o Santander esperava ficar com os ativos imóveis avaliados em cerca de 100 milhões de euros. Contudo, só nesse dia descobriu, já depois do processo de negociações para a compra do banco, que é dono de apenas 20% desse património.

As unidades de participação do fundo de investimento imobiliário Property são detidas em 48% pela Oitante, o veículo do Fundo de Resolução que recebeu ativos problemáticos. Outros 32% estão nas mãos de clientes do Banif, enquanto o Santander ficou com as restantes unidades de participação. No final do primeiro semestre de 2015, o Property estava avaliado em 103,8 milhões de euros: contudo, retirando os valores dos empréstimos, esse montante cai para os 75,8 milhões de euros.

Desconhece-se qual a renda que o Santander está a pagar ao fundo imobiliário pelos espaços que ocupa. Sabe-se apenas que o banco comprador do Banif acupa apenas o 10º piso do edifício sede e, parcialmente, um outro andar onde estão diretores comerciais. Nos restantes pisos, estão os trabalhadores que ficaram na Oitante. É caso para dizer que o Santander deu com o nariz na porta da sede do Banif.