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Argentina chega a acordo com credores italianos

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O governo do novo presidente Mauricio Macri vai pagar 1,35 mil milhões de dólares aos 50 mil credores italianos que não aceitaram as reestruturações de dívida de 2005 e 2010. Buenos Aires está, também, em negociação com os fundos abutre norte-americanos com quem mantém um litígio em Nova Iorque desde 2013

Jorge Nascimento Rodrigues

A Argentina vai pagar 900 milhões de dólares acrescidos de um “juro razoável” a acordar com os credores italianos detentores de títulos não reestruturados da dívida argentina, anunciou um comunicado conjunto do governo argentino e da Task Force Argentina. Esta entidade reúne 50 mil credores italianos que não aceitaram as reestruturações da dívida argentina em 2005 e 2010. O montante global deverá atingir 1,35 mil milhões de dólares (mais de 915 milhões de euros), o equivalente a uma valorização de 150% em relação ao valor original dos títulos.

O ministro das Finanças Alfonso Prat-Gay disse numa conferência de imprensa em Buenos Aires que este acordo resolve 15% da dívida argentina que não foi reestruturada. Daniel Pollack, o mediador nomeado pelo Tribunal de Nova Iorque que julga o litígio da Argentina com os fundos abutre desde 2013, afirmou, na segunda-feira, que a dívida reclamada por credores que não aceitaram as reestruturações soma 9 mil milhões de dólares (cerca de 8,2 mil milhões de euros).

O ministro das Finanças do novo governo do presidente Mauricio Macri, eleito em dezembro passado, afirmou, ainda, que este acordo com os credores italianos é um primeiro passo na direção de um entendimento para resolver o litígio com os investidores que não aceitaram as reestruturações. No caso dos designados fundos-abutre, como os do financeiro Paulo Singer, decorre um litígio desde 2013 nos tribunais nova-iorquinos. O juiz nova-iorquino Thomas Griesa tornou-se famoso ao decidir a favor dos fundos abutre. O anterior governo da presidente Cristina Fernández adiou a resolução do litígio. O atual governo, que iniciou esta semana negociações em Nova Iorque com os fundos-abutre, pretende resolver a contenda, mas não se vergará a um “juro inaceitável” exigido por parte de alguns desses fundos.

Em virtude das decisões do juiz norte-americano no verão de 2014, as agências de notação Standard & Poor's e Fitch colocaram, desde 30 e 31 de julho daquele ano, a dívida argentina de longo prazo na situação de defaut selectivo ou restrito, abrangendo algumas linhas de obrigações.