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Wall Street e principais bolsas europeias fecham no vermelho

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NYSE fechou esta segunda-feira com perdas, mas Nasdaq registou ganhos. Na Europa, Moscovo, Estocolmo e MiIão lideraram quedas. Dublin, Atenas e Lisboa escaparam à maré vermelha. Preço do Brent desce mais de 5%. Juros da dívida na zona euro subiram

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas de Nova Iorque fecharam “mistas” esta segunda-feira, com os índices em Wall Street a registarem perdas ligeiras e o índice geral do Nasdaq, a bolsas das tecnológicas, a encerrar com ganhos de 0,14%.

Na Europa, as principais bolsas registaram perdas, com Moscovo, Estocolmo e Milão a liderarem as quedas. O índice RTSI russo perdeu 2%, o OMX sueco caiu 1,02% e o MIB italiano recuou 0,92%. O índice Eurostixx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) registou uma descida de 0,89%. A Bolsa de Milão tem estado em foco pela negativa em virtude da incerteza sobre a reestruturação da banca italiana. O índice MIB já perdeu, desde o início do ano, 13,7%.

Algumas bolsas dos periféricos do euro tiveram hoje um desempenho positivo, com o índice ISEQ de Dublin a subir 1,7%, o índice geral de Atenas a avançar 0,78% e o índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, a ganhar 0,33%. Em terreno positivo fechou, também, Budapeste, Copenhaga e Bruxelas.

Recorde-se que a sessão asiática terminou com as bolsas chinesas no vermelho e Tóquio com ganhos.

As bolsas estão a ser influenciadas negativamente pelo abrandamento na China e nos EUA e pelo regresso do preço do petróleo a uma trajetória descendente, e positivamente pela decisão do Banco do Japão no final de janeiro em reforçar a estratégia de estímulos monetários (com um corte para terreno negativo da taxa de remuneração de depósitos, que foi fixada em janeiro em -0,1%), pela elevada probabilidade de um adiamento para final do ano de um novo aumento das taxas de juro pela Reserva Federal norte-americana (uma probabilidade superior a 50% só se regista para a reunião de 21 de dezembro próximo), e pela expetativa de que o Banco Central Europeu reforçará os estímulos na próxima reunião de março (eventualmente com um corte adicional de mais 10 pontos base na taxa negativa de remuneração de depósitos que foi fixada em -0,3% em dezembro do ano passado).

O preço do barril de petróleo de Brent, a variedade europeia de referência internacional, fechou o dia a descer 5,2% para 34,05 dólares, depois de cinco sessões consecutivas a subir de 30,5 para 35,9 dólares. O rumor de uma reunião de emergência do cartel petrolífeiro em fevereiro que avançaria para um corte de produção "coordenado" com a Rússia continua sem confirmação, apesar da Venezuela, o país proponente, ter iniciado hoje uma ronda por Moscovo e pelo Médio Oriente.

Hoje foi um dia de quedas nos índices globais de matérias-primas. O índice da Bloomberg perdeu 1,65%, o CRB da Reuters recuou 1,96% e o S&P GSCI desceu 2,58%.

Os preços das matérias-primas que mais desceram esta segunda-feira foram os relativos ao barril de petróleo WTI; a variedade norte-americana, ao gas natural e ao barril de Brent, com quedas superiores a 5%.

Juros da dívida subiram nos periféricos

No mercado secundário da dívida soberana da zona euro registou-se uma subida geral das yields no prazo de referência, 10 anos. As maiores subidas verificaram-se esta segunda-feira para as yields das obrigações espanholas e italianas.

No caso das Obrigações do Tesouro português (OT), naquele prazo de referência, a subida foi de seis pontos base para 2,73%, na linha de OT que vence em outubro de 2025. O prémio de risco da dívida portuguesa subiu, nessa referência, quatro pontos base para 237 pontos base, ou seja o diferencial com o custo de financiamento da dívida alemã subiu para 2,37 pontos percentuais. Se tomada em consideração a linha de OT que vence em julho de 2026 – lançada a 14 de janeiro -, as yields subiram cinco pontos base fechando em 2,93% e o prémio de risco da dívida portuguesa aumentou para 257 pontos base, um nível superior ao registado em junho do ano passado durante a crise grega.

Também o custo dos credit default swaps (acrónimo cds, contratos para segurar a dívida contra o risco de incumprimento num prazo de 5 anos) subiu esta segunda-feira para a dívida dos periféricos do euro, com destaque para Itália, Portugal e Irlanda. O preço dos cds para a dívida portuguesa subiu de 222,39 pontos base no final de janeiro para 227,14 pontos base no fecho desta primeira sessão de fevereiro.

Na próxima semana, a 12 de fevereiro, a ISDA, a Associação Internacional de Swaps e Derivados, regressa à análise da decisão do Banco de Portugal sobre a transferência de uma parte da dívida sénior do Novo Banco para o BES avaliando se se tratou de um evento de crédito. A 20 e 21 de janeiro, quando a ISDA analisou pela primeira vez o assunto, as yields da dívida portuguesa foram muito "sensíveis" à incerteza sobre o desfecho dessa reunião, chutando-as para máximos do ano, e fazendo disparar o prémio de risco.