Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Rentabilidade da dívida portuguesa foi negativa em janeiro

  • 333

O retorno das obrigações portuguesas foi negativo no primeiro mês do novo ano, tal como para a Grécia. Num horizonte de 52 semanas, a rentabilidade foi positiva mas desceu, tal como para Itália e Grécia. Metade da dívida pública estava no final do ano nas mãos de credores oficiais

Jorge Nascimento Rodrigues

O retorno da dívida obrigacionista portuguesa foi negativo em janeiro. O retorno mensal registou -0,94%. O outro periférico do euro que registou um retorno mensal negativo foi a Grécia, com um disparo para -8,21%. A média na zona euro em janeiro foi positiva, de 1,84%, mas todos os periféricos ficaram abaixo dessa média. A Irlanda registou o retorno mais elevado nos periféricos, com 1,66%. A dívida alemã, que é considerada valor de refúgio, registou um retorno mensal de 2,47% em janeiro.

No horizonte das últimas 52 semanas, a rentabilidade das obrigações portuguesas baixou em janeiro. No primeiro mês do novo ano ficou em 1,36%, claramente abaixo de 3,78% registada no final de 2015. O mesmo movimento de descida da rentabilidade anual verificou-se naquele período para a Itália – de 4,86% para 3,73% – e para a Grécia – de 21,06% para 13,57%. A rentabilidade anual da dívida irlandesa subiu de 1,64% em dezembro do ano passado para 2,42% em janeiro deste ano, uma subida maior do que a verificada para a dívida espanhola, de 1,57% para 1,66% no mesmo período. A rentabilidade anual média abarcando toda a dívida obrigacionista da zona euro foi de 1,71% em janeiro, sensivelmente idêntica à verificada no final do ano passado.

O retorno mensal e a rentabilidade nas últimas 52 semanas são indicadores do Bloomberg Global Benchmark Sovereign Bond Index. O índice da Bloomberg para Portugal tomou em consideração 13 linhas obrigacionistas. A 14ª linha foi lançada, a 14 de janeiro, através de uma emissão sindicada que colocou 4000 milhões de euros em obrigações com vencimento em julho de 2026.

As 13 linhas consideradas pela Bloomberg para a dívida obrigacionista portuguesa (não inclui ainda a linha com vencimento em julho de 2026) tinham uma yield até à maturidade de 1,85%, que pode ser comparada com 1% para a dívida espanhola, 0,96% para a dívida italiana e 0,36% para a dívida irlandesa. A média na zona euro era de 0,57% e a dívida alemã registava uma yield até à maturidade de 0,02%. A diferença em relação à média da zona euro é de quase 1,3 pontos percentuais para a situação portuguesa. A dívida obrigacionista helénica tem uma situação particular nos periféricos do euro com uma yield até à maturidade de 10,05%.

A duração efetiva da dívida obrigacionista portuguesa era de 6,13 anos contra 7,21 da dívida do conjunto da zona euro, segundo a Bloomberg. Segundo o mais recente boletim do IGCP, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, em dezembro de 2015, a maturidade média da dívida pública direta portuguesa era de 6,8 anos excluindo os empréstimos do resgate. Os empréstimos dos dois fundos europeus de resgate tinham uma maturidade média final de 15,5 anos. O empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) tinha uma maturidade média final de 4,6 anos no final do ano passado.

Ainda segundo o IGCP, o custo médio estimado para toda a dívida pública portuguesa remanescente (incluindo os empréstimos dos resgates) era de 3,5% no final de 2015. No caso da dívida aos dois fundos europeus de resgate, que é de longo prazo, o custo médio era de 2,65% e para os empréstimos do FMI era de 4,8%.

Dívida pública subiu em 2015

Segundo os dados mais recentes divulgados pelo IGCP, a dívida pública portuguesa estava em novembro de 2015 em 50% nas mãos de credores oficiais - os dois fundos europeus de resgate, o FMI, o Banco Central Europeu (BCE, através das obrigações adquiridas no mercado secundário no âmbito do programa SMP de 2010 a 2012 e do programa de compra em curso lançado em março de 2015) e o Banco de Portugal. Os restantes 50% distribuíam-se por residentes e não residentes não oficiais.

Em dezembro, a dívida direta (não abrange toda a dívida pública) do Estado português somava 226,4 mil milhões de euros, uma subida de 9,3 mil milhões em relação ao final de 2014. Se descontada a cobertura cambial, esse montante descia para 224 mil milhões de euros no final de 2015, que compara com 215,8 mil milhões no final do ano anterior.

Segundo o Boletim Estatístico do Banco de Portugal (BdP) publicado em janeiro, a dívida pública total portuguesa, segundo o critério de Maastricht, era de 231,3 mil milhões de euros no final de novembro de 2015, superior aos 225,8 mil milhões registados no final de 2014. Em percentagem do PIB, ainda segundo o BdP, a dívida pública representava 130,5% no final de setembro de 2015, acima de 130,2% em dezembro de 2014. Note-se que, ainda, não se dispõem de dados do BdP para o final do ano passado. O BdP deverá emitir uma nota informativa sobre o assunto na segunda-feira.

Fundos europeus, FMI e BCE/Banco de Portugal detêm 50% da dívida

Ainda segundo os dados publicados pelo boletim do IGCP referido, os detentores da dívida obrigacionista emitida e dos empréstimos no âmbito do resgate financeiro tinham os seguintes pesos relativos em novembro de 2015: 32% nas mãos dos credores oficiais do resgate (dois fundos europeus e FMI), 10% na carteira do BCE (dos quais 11,2 mil milhões adquiridos desde março de 2015 no âmbito do novo programa de compra de dívida pública no mercado secundário), 8% na carteira do Banco de Portugal, 11% nas mãos de investidores privados não residentes (estrangeiros), e 39% nas mãos de investidores privados residentes.

Em suma, metade da dívida pública estava nas mãos dos designados credores oficiais - os dois fundos europeus de resgate, o FMI, o BCE e o Banco de Portugal.

Comparando com o final de 2014, as obrigações na mão de não residentes privados subiram de 8% para 11% e a posição do Banco de Portugal aumentou de 1% para 8%. Reduziu-se a posição de conjunto dos credores oficiais do resgate (Fundos europeus e FMI) de 36% para 32% e do BCE de 12% para 10%. A dívida ao FMI reduziu-se de 27,38 mil milhões de euros no final de 2014 para 20,83 mil milhões no final de 2015 graças aos pagamentos antecipados.

Em termos de instrumentos de dívida, no final do ano, a repartição era a seguinte: 47% da dívida estava em Obrigações do Tesouro, 32% em empréstimos do resgate, 9% em retalho (certificados), 6% em Bilhetes do Tesouro e 6% em outros.

Na agenda deste ano de vencimento de obrigações contam-se a 15 de fevereiro 2 mil milhões de euros de uma OT a 5 anos e em 15 de outubro 4,4 mil milhões de uma OT a 10 anos.