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Troika teme regresso ao passado

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Troika. Chefe de missão do Fundo Monetário Internacional já está em Lisboa

Alberto Frias

Instituições internacionais estão em Lisboa para nova avaliação pós-programa. Primeira impressão é de preocupação

A troika chegou a Portugal esta semana para mais uma avaliação pós-programa que termina na próxima quarta-feira e a estratégia orçamental é um dos temas que vão estar em cima da mesa. Segundo apurou o Expresso, os trabalhos estão ainda numa fase inicial e não há ainda grandes conclusões por parte dos homens das instituições internacionais. Mas há, à partida, as dúvidas sobre os números do crescimento do PIB e do défice orçamental que são muitas. E teme-se um regresso ao passado.

Um responsável de umas das instituições internacionais lembrava que, no atual contexto e com a dívida pública que Portugal tem, “é prioritário cumprir a redução estrutural do défice imposta pelas regras europeias”. O que implica uma redução do défice estrutural de, pelo menos, 0,6 pontos percentuais do PIB já que Portugal tem uma situação económica considerada “normal” às luz dos critérios europeus.

A visita da troika tem ainda dois outros assuntos na agenda: reformas estruturais e avaliação da situação do sector bancário. Em termos de reformas estruturais, há uma série de áreas em que a troika sempre quis ir mais longe, como o mercado de trabalho, e também preocupação com algumas reversões recentes.

Alterações como a redução do horário de trabalho no Estado de 40 para 35 horas semanais estão a deixar as instituições internacionais preocupadas. “Não são reformas, são reversões de reformas”, disse o mesmo responsável.

No caso da banca, uma das áreas que continuam a merecer forte preocupação é o crédito malparado. Os dados do Banco de Portugal mostram que, em 2015, o crédito malparado atingiu um novo recorde histórico. Em novembro, o último mês disponível, somava €18,9 mil milhões entre empréstimos a empresas não financeiras e às familias. Representava quase 10% do total.

Um dos problemas é que, nas empresas, uma grande parte dos devedores são PME sem capacidade de saldar as suas dívidas. Há muito que FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu (BCE) insistem na necessidade de criar mecanismos para os bancos lidarem com o problema de forma coordenada.