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Bolsas mundiais perderam 6% em janeiro. Última semana evitou afundamento maior

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Balanço do mês. China, Arábia Saudita e Itália registaram as piores quedas do mês entre as principais praças financeiras. Nova Iorque perdeu mais de 5% e a Europa mais de 6,5%. Preço do Brent desceu quase 4%

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais perderam 6,1% durante janeiro, segundo o índice MSCI para as bolsas de todo o mundo. Mas o afundamento durante o primeiro mês de 2016 poderia ter sido pior. A última semana registou um ganho de quase 2% nas bolsas mundiais, com o preço do barril de Brent a subir quase 17% durante quatro sessões seguidas e com sinais positivos provenientes da política monetária dos quatro principais bancos centrais do mundo.

O rumores de que a Organização dos Países Exportadores do Petróleo poderia estar a encaminhar-se para um acordo com a Rússia com vista a um corte conjugado na produção diária de barris de crude fizeram com que a queda de preços do Brent em janeiro se ficasse por 3,7%. O preço do barril de Brent desceu de 37,28 dólares no final do ano passado para 35,91 dólares no final de janeiro. Mas poderia ter descido muito mais se se mantivesse no patamar de um mínimo de quase 13 anos registado a 20 de janeiro quando caiu para 27,10 dólares. O rumor permitiu inverter a trajetória de queda para mínimos.

Sinais de estímulos monetários

A intenção do Banco Central Europeu (BCE) em reanalisar a política monetária na próxima reunião de março no sentido de mais estímulos, indo mais longe do que foi em dezembro, deu mais um sopro de otimismo na zona euro. Na abertura solene da Deutsche Börse, o presidente do BCE, Mario Draghi, garantiu que “com uma perspetiva de incerteza para a economia global em 2016, o desafio na zona euro é garantir que os ventos contrários globais não vão dar cabo da recuperação doméstica”.

A injeção na banca do país durante a última semana do equivalente a mais de 96 mil milhões de euros pelo Banco Popular da China fez emagrecer a derrocada das duas bolsas chinesas em janeiro.

A Reserva Federal norte-americana disse que estava a “monitorizar de perto” o que se está a passar globalmente e isso foi o suficiente para empurrar uma probabilidade superior a 50% para um segundo aumento das taxas de juro para dezembro do próximo ano!

A decisão do Banco do Japão, na última sessão do mês, colocou a cereja em cima do bolo, ao decidir entrar no “clube” dos bancos centrais que fixaram taxas negativas de remuneração dos depósitos.

A maior queda bolsista mensal registou-se com a região da Ásia Pacífico, cujo índice MSCI recuou 8%. A segunda e terceira maiores quedas verificaram-se com o grupo dos mercados de fronteira (economias que ainda não são classificadas como emergentes) e com a Europa, cujos índices MSCI respetivos caíram 6,84% e 6,65%. O índice para o grupo dos mercados emergentes recuou 6,52%.

A menor queda registou-se com Nova Iorque, cujo índice MSCI perdeu 5,43%, mas tratando-se das duas maiores bolsas do mundo (NYSE e Nasdaq) esta queda é muito importante e está em linha com o “sentimento” que se apossou dos investidores ao constatarem que a economia norte-americana abrandou significativamente no quarto trimestre de 2015. A taxa de crescimento homóloga do PIB dos EUA por trimestre desceu de 3,9% no segundo, para 2% no terceiro e 0,7% no quarto.

Foco negativo sobre China, Arábia Saudita e Itália

Em termos dos principais índices do mundo, a maior queda em janeiro registou-se no índice chinês CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen) que caiu 21% com quatro derrocadas (descidas superiores a 5%) diárias durante o mês, com a maior logo a abrir 2016, a 4 de janeiro, com um crash de 7%.

Seguiram-se nas principais quedas o índice Tadawull da Bolsa de Riade, na Arábia Saudita, com um recuo de quase 15%, e o índice MIB da Bolsa de Milão com uma perda de quase 13%, quedas que sinalizam o impacto da descida do preço do crude, no primeiro caso, e da incerteza sobre o resgate da banca italiana que tem às costas mais de 350 mil milhões de euros em crédito malparado.

Ainda nas principais quedas de índices, acima de 7,5%, incluem-se o Hang Seng de Hong Kong, o Dax de Frankfurt, o Nikkei 225 de Tóquio, o Nasdaq de Nova Iorque e o Ibex 35 de Madrid. O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, caiu 4,7%.

No mercado de matérias-primas, as maiores quedas mensais de preços, superiores a 10%, registaram-se para o cacau negociado em Nova Iorque e em Londres, açúcar, paládio e gasolina reformulada. As maiores subidas de preços, acima de 3%, ocorreram com três matérias-primas agrícolas (carne de porco magro, milho e farelo de soja) e dos metais preciosos (ouro e prata).

Em termos de evolução mensal dos índices de matérias-primas, o índice da Bloomberg perdeu 1,7%, o CRB caiu 5,4% e o S&P GSCI recuou 5,2%. No entanto, na última semana do mês, todos subiram.