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Adeus estações, olá milhões!

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No plano de valorização da estação de São Bento, a Infraestruturas de Portugal conta instalar um hotel, apoiado por áreas comerciais e turístico-culturais

As 10 estações ferroviárias mais emblemáticas do país vão ter centros comerciais, pousadas, hostels e outras novas utilizações. E vão render €11 milhões anuais

Santa Apolónia é apenas uma das 10 estações ferroviárias que vão ter uma utilização mais rentável — sem estarem exclusivamente dedicadas à entrada e saída de passageiros e à expedição de mercadorias. Segundo o presidente da Infraestruturas de Portugal (IP), António Ramalho, “existe um enorme potencial para estas estações que não tem sido aproveitado, porque há muita procura para várias utilizações”. Um bom exemplo disso é o “sucesso comercial que tem tido a nova exploração da estação do Rossio, e Santa Apolónia, em Lisboa, tal como São Bento, no Porto, terão sucessos semelhantes, pelo interesse que estamos a notar por parte de vários setores de atividade”, garante o presidente da IP.

Além das novas utilizações que serão dadas a estas três estações, seguem a mesma estratégia as de Entrecampos, Campanhã, Cais do Sodré, Cascais, Oriente, Braga e Coimbra. “Já sabemos que o potencial de receitas anuais previsto para estas 10 estações é de €11 milhões”, esclarece António Ramalho.

Sendo possível incorporar um conjunto variado de novas atividades comerciais às estações ferroviárias mais emblemáticas — tendência que tem sido seguida em vários países europeus —, uma das solicitadas à IP é o seu “reaproveitamento como unidades turísticas ou como hostels, que agora estão na moda”, diz António Ramalho.

Têm surgido algumas críticas a esta tendência, mas “uma análise séria torna evidente e inegável o grande potencial que têm os espaços das estações ferroviárias, porque são geralmente edifícios localizados em zonas centrais das grandes cidades e muitos deles têm uma carga histórica e uma traça arquitetónica característica — a estação do Rossio é mais do que isso, porque é um ex-líbris da capital — o que, por si só, lhes confere grande capacidade de atração turística”, refere o presidente da IP.

“Mesmo ao lado de Santa Apolónia temos o Terminal de Cruzeiros de Lisboa, que facilmente atribui à localização desta estação um alto potencial para quem vem visitar Lisboa, tendo ali um espaço comercial ideal para comprar produtos típicos, ou uma unidade de alojamento, onde poderá pernoitar alguns dias na cidade se ali tiver instalado um hostel”, refere o presidente da IP.

“Seja qual for a diversidade de utilizações turístico-culturais, ou até de restauração, o nosso objetivo será sempre o de valorizar a estação de Santa Apolónia”, comenta António Ramalho.

“Por outro lado, não é verdade que a IP queira retirar os trabalhadores desta estação, até porque”, diz, “também há trabalhadores da IP que estão a ser transferidos do Palácio Coimbra para as instalações de Santa Apolónia”.

O balanço do reaproveitamento da estação do Rossio já foi suficiente para a IP comprovar o potencial deste segmento: está a gerar um milhão de euros por ano. António Ramalho também esclarece que só a estação de São Bento, no Porto, atrai perto de 4000 visitantes anuais, que não vão lá para viajarem de comboio. “Não podemos ignorar este potencial e temos obrigação de o aproveitar na rentabilização dos nossos ativos imobiliários”, diz.

É por isso que no plano de valorização da estação de São Bento, a IP conta instalar um hotel, apoiado por áreas comerciais e turístico-culturais que fomentem o lazer mas que também captem receitas. O acervo patrimonial da estação de São Bento também é um ex-líbris do Porto, garantido pela importância histórica dos seus painéis de azulejos que são uma atração turística.

Atendendo à ampla área da estação de São Bento, a IP poderá desenvolver diversos projetos num espaço que atinge os 9000 metros quadrados, o que incluirá uma oferta muito diversificada, com um rendimento potencial também elevado. Este espaço atualmente é usado como parque de locomotivas estragadas e como armazém de ferro-velho.