Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros da dívida em queda

  • 333

O 'motor' não foi nenhuma declaração do presidente do BCE. Mas a decisão do Banco do Japão em entrar para o 'clube' das taxas de remuneração de depósitos negativas. Juros das obrigações portuguesas, de membros do euro, suíças e nipónicas registam maiores descidas durante a manhã desta sexta-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

A decisão do Banco do Japão em cortar para terreno negativo a taxa de remuneração dos depósitos dos bancos comerciais nipónicos gerou esta sexta-feira um impacto positivo não só no mercado bolsista como no mercado da dívida soberana.

No prazo de referência, a 10 anos, as maiores descidas, em pontos base, registaram-se para as yields das Obrigações do Tesouro português (OT), que recuaram 13 pontos base, das próprias obrigações nipónicas (menos 12 pontos base), das obrigações britânicas, conhecidas por Gilts (menos 10 pontos base), e das obrigações espanholas (menos nove pontos base), segundo dados da Investing.com para as 12h30 (hora de Portugal), que, no caso português, usa ainda como referência a linha de OT que vence em outubro de 2025.

Em termos de variação percentual no prazo de referência, as maiores descidas até ao final da manhã registaram-se nas obrigações suíças (que recuaram para -0,276%, liderando o mundo em yields negativas), alemãs, holandesas, francesas, finlandesas, francesas, belgas e japonesas, com quedas superiores a 9,5%.

As yields das OT a 10 anos desceram, pelas 12h30, para 2,67% na linha que vence em outubro de 2025 e para 2,872% na linha que vence em julho de 2026. Recorde-se que a 21 de janeiro, aquando do stresse em torno da reunião da ISDA sobre a transferência de dívida sénior do Novo Banco para o BES, as yields fixaram, em valores de fecho do dia, um pico do ano em 2,87% e 3,095% respetivamente.

O prémio de risco da dívida portuguesa desceu esta sexta-feira de manhã seis pontos base para 232 pontos base, tomando como referência a linha de OT que vence em outubro de 2025. Se for tomada em consideração a linha de OT que vence em julho de 2026, o prémio de risco desceu três pontos base para 253 pontos base, um nível que é superior ao registado aquando do pico do contágio da crise grega na dívida portuguesa a 15 de junho do ano passado. O prémio de risco é medido pelo diferencial, no prazo a 10 anos, das yields das obrigações de um dado país em relação às que se registam para as obrigações alemãs, conhecidas como Bunds. Aquando do pico a 21 de janeiro, o prémio de risco subiu para 242 e 264, consoante a referência, níveis acima dos registados aquando da crise grega do verão.

  • O banco central nipónico decidiu cortar a taxa de remuneração dos depósitos dos bancos para -0,1%. Bolsas chinesas sobem mais de 3% e Bolsa de Tóquio regista ganhos de mais de 2%. Banco Popular da China injetou liquidez durante toda a semana