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Banco do Japão fixa taxa negativa. Bolsas da Ásia em alta

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O banco central nipónico decidiu cortar a taxa de remuneração dos depósitos dos bancos para -0,1%. Bolsas chinesas sobem mais de 3% e Bolsa de Tóquio regista ganhos de mais de 2%. Banco Popular da China injetou liquidez durante toda a semana

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas na Ásia Pacífico animaram-se esta sexta-feira. As duas bolsas chinesas fecharam a subir mais de 3% e em Tóquio os dois principais índices registaram ganhos superiores a 2,8%. O índice de referência na China, o CSI 300 (das trezentas principais cotadas nas duas bolsas de Xangai e Shenzhen), subiu 3,24%. A maré verde contagiou toda a região da Ásia Pacífico, com exceção da Indonésia. As bolsas de Hong Kong e Taiwan fecharam com subidas superiores a 2%. Depois de uma subida modesta de 0,02% na quinta-feira, o índice MSCI para a região melhorou substancialmente.

Os futuros em Frankfurt e Wall Street estão em terreno positivo. As bolsas europeias fecharam na quinta-feira com perdas de 0,93%, restando ver se o fecho esta sexta-feira inverte a trajetória negativa de ontem.

O motivo do dia para este movimento de alta foi a decisão do Banco do Japão (BoJ), o banco central nipónico, em cortar para terreno negativo a taxa de remuneração dos depósitos dos bancos comerciais acima de um determinado nível. O BoJ cortou essa taxa de 0,1% para -0,1%, declarando entrar na estratégia de política monetária que já é seguida na Europa, pelos bancos centrais da Suécia, Suíça, Dinamarca e Zona Euro. A nova taxa negativa entrará em vigor a 16 de fevereiro. A possibilidade deste movimento foi negada ainda há oito dias pelo governador do BoJ perante o Parlamento nipónico. A decisão foi aprovada por uma unha negra, com 5 votos a favor e 4 contra. Nos votos a favor contou-se o do governador Haruhiko Kuroda.

Em simultâneo soube-se que o Banco Popular da China deverá ter injetado esta semana liquidez no sistema bancário na ordem de 690 mil milhões de yuan, mais de 96 mil milhões de euros.

O preço do barril de Brent, a variedade europeia de referência internacional, continua a cotar-se acima de 35 dólares. Na sessão asiática desta sexta-feira, o preço variou entre 34,82 e 35,77 dólares. O preço no fecho da sessão foi de 35,58 dólares, ligeiramente acima do valor no encerramento no dia anterior. O preço do Brent encontra-se em alta há quatro dias.

A subida está a ser alimentada pelo rumor de que poderia estar em preparação um acordo entre a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e a Rússia para um corte na produção diária. Ainda ontem o responsável governamental pela Energia russo Alexander Novak falava de uma proposta dentro da OPEP para um corte interno de 5%, mas os analistas sublinham que a declaração foi ambígua, pois resta saber se o ministro se referia a uma anterior proposta da Venezuela e da Argélia, ou a uma nova por parte da Arábia Saudita, que tem imposto uma estratégia de preços baixos.

Japão entra no “clube” dos juros negativos

A decisão anunciada hoje pelo BoJ surpreendeu, tanto mais que o governador havia rejeitado tal possibilidade perante o Parlamento (Dieta). É a primeira vez que o banco opta por fixar uma taxa negativa de remuneração dos depósitos. A disposição dos banqueiros centrais nipónicos é a de “cortar ainda mais se se julgar necessário”, apesar da votação ter sido à pele.

O BoJ introduziu três níveis de taxas de remuneração dos depósitos, um negativo, outro neutro e outro positivo. O negativo aplica-se a partir de um certo montante de depósitos parqueados pelos bancos comerciais que estejam acima das reservas legalmente exigidas.

O Japão entra, assim, no clube das taxas de juro negativas, onde se encontram o Banco central da Suécia (com taxas em -1,1%), o Banco Nacional da Suíça (com a taxa em -0,75%), o Banco central da Dinamarca (taxa em -0,65%) e o Banco Central Europeu (com a taxa em -0,3% desde 3 de dezembro passado).

O BoJ decidiu conjugar a taxa negativa com a manutenção do programa de compra de títulos da dívida nipónicos até um montante anual de 80 biliões de ienes (o equivalente a mais de 600 mil milhões de euros, um pouco mais do que os 529 mil milhões de euros já aplicados pelo BCE na compra de dívida soberana no mercado secundário entre março de 2015 e 22 de janeiro de 2016), referindo que optou por essa convergência de medidas à semelhança do que faz o BCE.

Nas previsões atuais do BoJ, a inflação esperada só chegará perto da meta de 2% entre abril e setembro de 2017. Para 2016, a inflação prevista é, agora, de 0,8%. O BoJ procedeu a uma revisão em baixa dessa previsão, que, anteriormente, era de 1,4%.