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Prémio de risco de Portugal sobe para níveis do verão de 2015

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Juros das obrigações portuguesas e italianas sobem no mercado secundário. Preços dos cds para a dívida portuguesa e italiana destacam-se nas subidas. Prémio de risco da dívida portuguesa sobe para níveis de junho passado aquando da crise grega

Jorge Nascimento Rodrigues

Depois de uma melhoria nos últimos dois dias, o stresse sobre a dívida obrigacionista portuguesa regressou esta quinta-feira ao mercado secundário da dívida e ao mercado dos credit default swaps (acrónimo cds), que funcionam como contratos para cobertura do risco de incumprimento da dívida.

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos subiram três pontos base esta quinta-feira fechando em 2,79%, no caso da linha de OT que vence em outubro de 2025. No caso da linha de OT que vence em julho de 2026, usada como nova referência a 10 anos por algumas entidades, as yields fecharam em 2,975%, um aumento de três pontos base em relação ao encerramento no dia anterior.

O outro país periférico que registou uma subida das yields naquele prazo foi Itália. As yields das obrigações italianas subiram dois pontos base para 1,52%.

Onde o stresse é mais visível é no prémio de risco que mede o diferencial entre o custo de financiamento da dívida a 10 anos em Portugal e na Alemanha.

O prémio de risco, ou risco país, subiu sete pontos base para fechar esta quinta-feira em 238 pontos base, o equivalente a um diferencial de quase 2,4 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento das obrigações alemãs, segundo dados da Datosmacro, que continua a usar a linha de OT que vence em outubro de 2025 como referência para a dívida a 10 anos. Este nível de risco é similar ao verificado em junho de 2015, aquando do pico da crise grega, antes do acordo para um terceiro resgate.

Está, contudo, ainda abaixo do prémio de risco registado a 20 e 21 de janeiro, na semana passada, com o nível a subir para 245 pontos base, o que já não se verificava desde novembro de 2014. Se o prémio for avaliado com base na linha de OT que vence em julho de 2026, o nível registado hoje sobe para 256 pontos base.

Este pico da semana passada coincidiu com o stresse em torno da reunião da ISDA, a Associação Internacional de Swaps e Derivados, que adiou para fevereiro uma decisão sobre se ocorreu ou não um evento de crédito com a transferência de parte da dívida sénior do Novo Banco para o BES, uma decisão do Banco de Portugal que tem sido muito contestada pelos investidores internacionais.

A segunda maior subida do prémio de risco registou-se hoje com a dívida italiana. O risco país subiu seis pontos base para 111 pontos base.

O mesmo stresse se verifica com os contratos cds para Portugal e Itália que foram os que mais subiram esta quinta-feira na variação em percentagem. O custo dos cds para a dívida portuguesa a cinco anos subiu para 215,685 pontos base, um aumento de 4,39%. No caso da dívida italiana, o preço dos cds aumentou para 112,175 pontos base, uma variação de 4,98%.