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“Elaborar um OE que tem que satisfazer partidos contra a UE é complicado”

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Manuela Ferreira Leite considera incompreensível o facto de o Governo socialista se arriscar a confrontar Bruxelas com a violação do pacto orçamental, no que diz respeito ao défice estrutural, por este ser um ponto “que sempre se disse que iríamos cumprir”. “Qual foi o objetivo de afrontar Bruxelas com este ponto?”

A antiga líder do PSD considera que ainda não existem detalhes suficentes no esboço do Orçamento de Estado para 2016 (OE 2016) para se dizer se existem irregularidades graves no mesmo. No entanto, Manuela Ferreira Leite considera que as previsões do OE 2016 são “claramente otimistas”, ainda que revelem alguma hipótese de poderem ser verificáveis.

“Não me parecem completamente inviáveis, mas para isso é preciso ter sorte - com aquilo que se verifica no país e fora dele”, declarou esta noite no seu espaço de comentário habitual na TVI24. Para a comentadora da TVI24, o esboço de OE não é “totalmente irrealista”, apenas “muito otimista”.

Ainda assim, Ferreira Leite sublinha um aspeto que diz não compreender: o facto de - sendo este “um orçamento evidentemente difícil, com projeções otimistas e risco de estas não se verificarem, e ainda com Bruxelas de pé atrás pelo anúncio de reversão de medidas impostas pela troika -, o Governo se arriscar a afrontar a Comissão Europeia na violação do pacto orçamental, num ponto que sempre se disse que iríamos cumprir: o défice estrutural.” E levanta uma questão: “Qual foi o objetivo de afrontar Bruxelas com este ponto?”

No entanto, Ferreira Leite sublinha que a reação de Bruxelas ao esboço de OE enviado pelo Governo português “não é uma novidade”, mas uma reação comum a todos os países. “Tenho sempre, relativamente a este tipo de diálogo, alguma dúvida se se trata de uma efetiva desavença entre as instâncias europeias e os países ou apenas uma mise-en-scène.”