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Automóvel. Teixeira Duarte e Salvador Caetano perdem 100 milhões de receita em Angola

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Em Angola, o retalho automóvel caiu 54% em 2015. Teixeira Duarte e Salvador Caetano amorteceram a queda com receitas nos serviços de oficina

Teixeira Duarte (TD) e Salvador Caetano (SC) são os conglomerados portugueses mais afetados com a redução de 54 por cento registada no negócio automóvel em Angola. Os dois grupos encontram-se entre os principais operadores do mercado, liderado pela Toyota.

A TD detém um quota de 20% do mercado, a exposição da SC é mais modesta: 7%. No conjunto, terão perdido mais de 100 milhões de euros de receita, em 2015, atenuando a severa quebra acentuada com a faturação no serviço de peças e oficina. Em 2015, o mercado automóvel de Angola ficou nas 21 mil unidades (compara com 178 mil em Portugal).

Apesar da queda abrupta do sector, a SC “reforçou a quota de mercado como resultado dos investimentos realizados no serviço de pós venda”, diz a empresa ao Expresso. A redução "foi inferior à registada pelo mercado". A política de diversificação, com a aposta em novos mercados africanos como Moçambique, Senegal ou Quénia atenuou a queda registada em Angola. A SC, que opera em Angola através da Robert Hudson, nota que que a receita do serviço de oficina subiu até face a 2014.

Tesouraria pressionada

Para a SC, o caráter estratégico do mercado angolano mantém-se inalterado “pelo facto do seu potencial permanecer intocável“. Todavia, acrescenta o grupo, "a atual situação financeira e cambial obriga a encarar a exposição ao mercado de forma muito cautelosa e a procurar junto da banca local e internacional novos instrumentos que nos permitam manter uma tesouraria sustentável e, dessa forma, apoiar as operações em Angola".

Em 2014, a SC vendeu 3100 viaturas ( a Ford é a principal marca), um valor no último exercício terá caído para metade. Na faturação global do grupo, África é o terceiro mercado e reduziu o seu contributo para menos de 50 milhões de euros (3% do total).

Na TD, o efeito Angola é mais acentuado. A receita de 280 milhões de euros em 2104 terá caído, tendo em conta o último relatório trimestral do grupo, para 160 milhões de euros. Em 2014, a rede TD vendeu 10.800 viaturas, com destaque para as marcas Renault, Chevrolet e Nissan.

Em Angola, o negócio automóvel foi o que correu pior no conglomerado TD, com uma quebra superior a 30%, amortecida também pelo desempenho da assistência pós-venda. A TD faz em Angola, na construção, automóvel, hotelaria e distribuição, metade da sua faturação de 1,6 mil milhões de euros.

Sector está parado

A Associação dos Concessionários de Equipamentos de Transportes Rodoviários (ACETRO) trabalha para 2016 com um cenário de nova queda de 25%, acreditando numa recuperação de 40% em 2017. Os preços dos automóveis têm refletido acentuada desvalorização da moeda local face ao dólar e as viaturas que em dezembro custavam 1,5 milhões de kwanzas aumentaram em janeiro para 2,5 milhões.

Sem divisas para importar, os concessionárias “atrasam os pagamentos aos fornecedores que lidam com restrições nos stocks”, reconheceu o presidente da ACETRO, Nuno Borges da Silva, em declarações ao Jornal de Angola. O empresário antecipa, neste ambiente adverso, "a falência de muitos operadores”. As empresas “que importam viaturas estão paradas - com o atraso de pagamento suspenderam a actividade - e as que compravam no mercado interno, com o aumento dos preços, suspenderam as compras”, resume o presidente da ACETRO.