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Ulrich elogia a opção pelo Santander no Banif e diz que o banco “está bem entregue”

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Alberto Frias

Fernando o Ulrich, presidente do BPI, não queria falar dos outros bancos, mas acabou por considerar “boa” a decisão de venda do Banif ao espanhol Santander. Esclareceu que a cisão do BFA é o único ponto da próxima Assembleia Geral e disse que o seu futuro no BPI depende dos acionistas. Garante que não vendeu obrigações do Novo Banco

"Estamos muito orgulhosos e contentes com os resultados que obtivemos em 2015, quer em Portugal, que em Angola. Tenho opinião, mas não quero estar aqui a falar dos outros, a poluir (a divulgação dos bons resultados)", afirmou esta terça-feira o presidente do BPI, Fernando Ulrich na apresentação dos resultados do ano passado, mas acabou por falar. O BPI registou um lucro de 236,4 milhões de euros em 2015, contra um prejuízo de 163,6 milhões de euros em 2014.

"Não tenho nenhuma preocupação com o facto de ter sido negociado com o Santander a compra do Banif. Foi uma boa decisão. O Santander é um banco bom e um banco sólido. É um factor de tranquilidade para o sistema financeiro português. Espero que corra bem. Não somos invejosos, nem ciumentos", afirmou o banqueiro. "Está bem entregue", frisou. Mas sublinhou, "obviamente que nos preocupa os impactos que eventualmente poderão ter no fundo de resolução". O BPI acabou por não fazer parte das instituições que foram convidadas para fazer uma oferta sobre o Banif. Mas aparentemente não está desapontado com isso. "Mesmo que tivesse sido convidado, creio que o BPI não estaria interessado em fazer uma oferta".

O banqueiro disse que a rejeição da oferta de compra de 10% do Banco de Fomento de Angola pelo Unitel foi ponderada "tendo em conta vários fatores internos e externos ao banco". Não esclareceu se o Banco Central Europeu tinha concordado com a decisão do conselho de administração do BPI, mas adiantou que tinha havido várias interações com as autoridade de supervisão europeia, com quem disse estar em "permanente diálogo". Agora a solução que está em cima da mesa, para resolver os problemas de exposição do banco português a Angola, é cisão entre o BPI e o BFA. Será este o único ponto na agenda da Assembleia Geral de dia 5 de fevereiro. Isabel dos Santos e a Unitel têm-se manifestado contra a cisão. A angola Isabel dos Santos detém 18% do BPI e a Unitel 49% do BFA. Angola representou 57% do lucro do BPI e teve uma contribuição de 135,7 milhões de euros. "Se há uma coisa de que me orgulho foi fazer parte da equipa que fez o BFA", sublinhou.

Fernando Ulrich garantiu ser "mentira" que o BPI tenha andado a vender obrigações do Novo Banco aos seus balcões. "É mentira. O BPI não vendeu obrigações do Novo Banco ou do BES ao seus clientes" de private banking.

Apesar das tensões com acionistas, nomeadamente a angola Isabel dos Santos, a quem Ulrich disse não à oferta para compra de 10% do BFA, Fernando Ulrich mostrou-se tranquilo quanto à sua manutenção enquanto presidente do BPI. "O meu mandato termina em 2017, por isso, é um assunto para a Assembleia Geral desse ano, que deverá ocorrer em abril", explicou. No entanto, acrescentou: "Em qualquer dos momentos os acionistas podem mandar-me embora, mas não o prevejo neste momento". Depois de lembrar que está no BPI há 33 anos, disse "farei o que os acionistas quiserem que eu faça".