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Ulrich diz que proposta da Unitel para BFA não era “boa solução” e insiste na cisão

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O presidente do BPI recusou dar razões específicas, afirmando apenas que a decisão foi o resultado de "uma apreciação global" em que foram tidos em consideração "fatores e internos ao banco"

O presidente executivo do BPI considerou hoje que a proposta de compra de 10% do angolano BFA pela Unitel não era "uma boa solução" e reiterou que a cisão dos ativos africanos é a "solução que preenche os requisitos impostos pelo supervisor".

"O Conselho de Administração considerou que esta não era uma boa solução para a situação que o BPI tem de resolver", disse hoje Fernando Ulrich aos jornalistas, quando questionado sobre a razão porque a administração do banco rejeitou a proposta apresentada pela operadora angolana Unitel, que oferecia 140 milhões de euros por 10% do capital do Banco de Fomento Angola (BFA).

O banqueiro recusou dar razões específicas, afirmando apenas que a decisão foi o resultado de "uma apreciação global" em que foram tidos em consideração "fatores e internos ao banco".

Ulrich não quis dizer também diretamente sobre se falou com o Banco Central Europeu (BCE) sobre a proposta da operadora Unitel e se essa cumpria os requisitos de Frankfurt de diminuir a exposição do BPI a Angola, reiterando apenas que o banco como qualquer grande banco está em "permanente consulta, diálogo, conversa com seu supervisor" e que com o BCE a administração do BPI tem tido um "processo de comunicação intensíssimo".

Sobre qual é a solução agora para a operação em Angola, o presidente do BPI recusou alargar-se sobre o tema e afirmou que o banco continua a ter uma assembleia-geral marcada para 05 de fevereiro em que os acionistas se vão poder pronunciar sobre o projeto de cisão das operações em África.

"É a solução que preenche os requisitos impostos pelo supervisor", sublinhou Ulrich, acrescentando que se fosse o dono do banco "aprovaria" essa proposta.

O banco BPI está atualmente numa ‘encruzilhada' quanto à sua operação no mercado angolano, a sua ‘jóia da coroa', onde detém a maioria do capital do BFA, devido às novas regras do Banco Central Europeu (BCE) que obrigam a reduzir a exposição a países como Angola.

Em 2015, dos 143,3 milhões de euros conseguidos pelo BPI nas operações internacionais, 135,7 milhões vieram do angolano BFA.

Devido ao apertar das regras do BCE quanto à exposição dos bancos europeus em países que Frankfurt considera não terem regras equivalentes às europeias, o ano passado a administração liderada por Fernando Ulrich apresentou um projeto de cisão das operações em África, propondo uma nova sociedade que juntaria as participações em Angola (50,1% Banco de Fomento Angola - BFA) e em Moçambique (30% Banco Comercial e de Investimentos e 100% no BPI Moçambique), estando marcada uma assembleia-geral para 05 de fevereiro para discutir esse tema.

Para essa proposta de cisão ir avante é necessária a aprovação dos principais acionistas do BPI - Caixabank e Santoro -, mas também o acordo prévio da operadora angolana Unitel (detida em 25% por Isabel dos Santos), que detém 49,9% do BFA. Os restantes 50,1% do BFA pertencem ao BPI.

No entanto, a empresa já tinha feito saber publicamente há algumas semanas que é contra o projeto de cisão e, em alternativa, propôs adquirir 10% do BFA que estão nas mãos do BPI, por 140 milhões de euros. Com isto, a Unitel passava a ter a maioria do capital do BFA, reduzindo a exposição do BPI a Angola.

Hoje foi então conhecido que o Conselho de Administração do BPI recusou essa proposta.