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Reserva Federal empurra Wall Street para o vermelho

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Bolsas de Nova Iorque fecham em queda depois da Fed revelar que está a "monitorizar de perto" a situação da economia global. Mais um dia de volatilidade no preço do petróleo que fecha em alta. Londres lidera subidas das bolsas na União Europeia

Jorge Nascimento Rodrigues

Se a Europa fechou em terreno positivo, com a Bolsa de Londres a liderar as subidas nas principais praças financeiras da União Europeia, Nova Iorque aprofundou esta quarta-feira as quedas bolsistas depois da Reserva Federal norte-americana (Fed) revelar que está a "monitorizar de perto" os desenvolvimentos da conjuntura financeira e económica mundial.

O índice MSCI para os Estados Unidos fechou a perder 1,13%, enquanto os índices similares para a Europa e a Ásia Pacífico encerraram a ganhar 0,56% e 1,43% respetivamente. Em virtude da queda em Nova Iorque, o índice MSCI mundial perdeu ligeiramente 0,16% esta quarta-feira. Desde o início do ano, as bolsas mundiais já perderam 8%. As maiores quedas verificaram-se no grupo das bolsas das economias emergentes e da região da Ásia Pacífico, marcada por quatro derrocadas nas bolsas chinesas. A Europa regista a menor queda.

Fed "monitoriza" e Wall Street é afetada

Wall Street esteve a cair até meio da manhã e depois subiu até à hora de almoço em Nova Iorque. Após a publicação da comunicação com as decisões e explicações da Fed pelas 14h locais, os índices bolsistas aprofundaram as quedas. O banco central norte-americano não mexeu nas taxas de juro e garantiu que as próximas subidas, quando forem decididas, serão graduais, o que os investidores e os analistas gostam sempre de ouvir. Mas justificou-se com o reconhecimento de que a economia norte-americana abrandou no final de 2015 e disse que está a seguir de perto o que se passa à escala mundial, o que provocou uma reação negativa.

O índice geral do Nasdaq, a bolsa das tecnológicas, liderou hoje as descidas com um recuo de 2,18%. No NYSE, a principal bolsa do mundo, o índice Dow Jones 30 fechou a cair 1,38% e o índice S&P 500 perdeu 1,18%. O índice de pânico financeiro relativo a Wall Street subiu hoje 4,1%. No Dow Jones, as maiores quebras registaram-se com a Boeing (queda de 8,94%) e com a Apple (descida de 6,5%).

Preço do Brent a subir pelo segundo dia consecutivo

O preço do barril de petróleo de Brent, a variedade europeia de referência internacional, registou mais um dia de volatilidade, variando entre um mínimo de 31,61 dólares e um máximo de 34,32 dólares, tendo fechado a sessão em 33,6 dólares pelas 21h (hora de Portugal), um aumento de mais de 5% em relação ao dia anterior.

O preço do Brent está em alta há dois dias consecutivos, registando uma subida acumulada de quase 10%. Esta alta animou esta quarta-feira as bolsas de Moscovo (Rússia), São Paulo (Brasil) e Ríade (Arábia Saudita).

Os índices de matérias-primas registaram esta quarta-feira uma trajetória ascendente: o da Bloomberg subiu 0,82%, o CRB avançou 0,92% e o S&P GSCI aumentou 1,59%. As maiores subidas de preços registaram-se hoje no gasóleo, óleo de aquecimento, barril de Brent, estanho e alumínio.

Bolsa de Milão no vermelho

Na Europa, os melhores desempenhos bolsistas concentraram-se esta quarta-feira na Bolsa de Moscovo, com os índices RTSI e MICEX a subirem 3,19% e 2,5% respetivamente, e na Bolsa de Londres, com o FTSE 100 a avançar 1,33%. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, registou um ganho de 1,15%. No vermelho fecharam as bolsas de Milão e de Bruxelas.

A situação da reestruturação da banca italiana continua a dominar a preocupação dos investidores na zona euro, apesar da Comissão Europeia e do governo de Matteo Renzi terem chegado hoje a um acordo para a criação de um sistema de garantias pelo Estado para a banca transalpina através da criação de um "banco mau" que lide com o crédito mal parado que envolve 350 mil milhões de euros.

Recorde-se que hoje a região da Ásia Pacífico fechou "mista", com as Bolsas de Xangai, Shenzhen e Sidney no vermelho, mas com a Bolsa de Tóquio a puxar pelos ganhos.

  • Por unanimidade, os membros do Comité que decide a política monetária do banco central dos EUA decidiram não realizar nova subida da taxa de juros. Na declaração publicada esta quarta-feira, a Reserva Federal (Fed) sublinha que está a "monitorizar de perto" os desenvolvimentos económicos e financeiros globais