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Fed não altera taxa de juros. Está de olho na situação global

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Por unanimidade, os membros do Comité que decide a política monetária do banco central dos EUA decidiram não realizar nova subida da taxa de juros. Na declaração publicada esta quarta-feira, a Reserva Federal (Fed) sublinha que está a "monitorizar de perto" os desenvolvimentos económicos e financeiros globais

Jorge Nascimento Rodrigues

A Reserva Federal norte-americana (Fed) depois de uma reunião de dois dias comunicou que não mexe nas taxas de juro. Não procede a uma nova subida, o que recolheu a unanimidade dos 10 membros presentes na reunião do Comité Federal de Mercado Aberto do banco central que define a política monetária.

A taxa de juro de referência mantem-se no intervalo entre 0,25% e 0,50%, que foi fixado na reunião de 15 e 16 de dezembro de 2015, iniciando, então, um processo de subida de um patamar que se mantinha próximo de 0% desde dezembro de 2008.

Esta decisão de não mexer no quadro de política monetária era a esperada pelos analistas e pelos mercados financeiros. Não haverá conferência de imprensa na sequência desta reunião.

Em Wall Street, o índice Dow Jones acentuou a queda que já se vinha verificando desde o pico às 12h15 (hora local) depois da divulgação do comunicado da Fed pelas 14h (19h em Portugal).

O Comité chefiado por Janet Yellen, a presidente da Fed, considera que a inflação deverá permanecer baixa no curto prazo, em parte em virtude dos efeitos transitórios da queda dos preços da energia e em outras importações, e reconhece que o crescimento económico dos Estados Unidos abrandou no final do ano passado. A estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a taxa de crescimento homóloga no quarto trimestre de 2015 é de 2,1%, abaixo da estimativa para a variação anual de 2,5%, segundo os dados mais recentes da atualização do World Economic Outlook. O FMI cortou em baixa as suas projeções de crescimento da economia norte-americana para 2016 e 2017.

A evolução esperada para a conjuntura económica aconselha "apenas aumentos graduais" na taxa de juros, repetem os banqueiros centrais norte-americanos. A declaração da Fed refere ainda: “A taxa de juros permanecerá provavelmente, por algum tempo, abaixo dos níveis que são esperados prevalecer no longo prazo”. A continuação de uma política monetária "acomodatícia" continua a ser a posição básica dos banqueiros centrais dos EUA.

A equipa de Yellen está de olho na situação mundial. A Fed declara que está a monitorizar de perto os desenvolvimentos financeiros e económicos globais e a avaliar as suas implicações para o mercado de trabalho e a inflação nos EUA e o impacto no balanço dos riscos que afetam a conjuntura.

As probabilidades de um novo aumento das taxas de juro nas próximas reuniões da Reserva Federal ainda no primeiro semestre diminuíram, entretanto, ligeiramente, de acordo com os futuros das taxas de juro da Fed, seguidos pela CME. A probabilidade só é igual a 50% na reunião de 27 de julho. No início desta semana, a probabilidade de uma nova subida ainda no primeiro semestre, na reunião de 15 de junho, era de 50%, mas, agora, desceu para 46%. A probabilidade só ultrapassa os 60% na reunião de novembro. Janet Yellen só realizará conferência de imprensa na sequência da reunião de 15 e 16 de março, a próxima.