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Nova derrocada bolsista na China. Ásia no vermelho

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As bolsas chinesas registaram esta terça-feira a quarta derrocada em janeiro. O índice de referência CSI 300 caiu 6%. Bolsas de Tóquio e de Hong Kong com perdas superiores a 2%. Futuros em Frankfurt e Wall Street no vermelho

Jorge Nascimento Rodrigues

As duas bolsas chinesas voltaram às derrocadas esta terça-feira e a Ásia Pacífico fechou no vermelho. O índice chinês de referência, o CSI 300 (para as principais trezentas cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen), quebrou 6%. É a quarta derrocada em janeiro. As anteriores registaram-se nos dias 4, 7 e 11. Em percentagem, é a terceira maior do mês. A maior derrocada verificou-se logo na primeira sessão do ano, a 4 de janeiro, com uma quebra de 7%.

Na bolsa de Tóquio, a terceira maior do mundo em capitalização depois do NYSE e do Nasdaq nova-iorquinos, o Nikkei 225 perdeu 2,35% e o TOPIX recuou 2,33%. O índice Hang Seng, na bolsa de Hong Kong, estava a cair mais de 2%.

No epicentro da vaga vermelha, o índice composto de Xangai desceu 6,42% e o índice similar para Shenzhen perdeu 7,12%. As bolsas chinesas estão a duas semanas da comemoração do ano novo chinês, este ano a 9 de fevereiro, iniciando o ano do macaco, iironicamente o animal mais auspicioso do zodíaco chinês. As bolsas de Sidney (Austrália) e de Mumbai (Índia) estiveram fechadas em virtude de feriados naqueles países.

Os futuros em Frankfurt e em Wall Street estão em terreno negativo indicando a probabilidade de aberturas no vermelho nas praças europeias às 8h (hora de Portugal) e em Nova Iorque pelas 14h30 (hora de Portugal).

O pânico financeiro na Ásia deriva da alta volatilidade do preço do petróleo que na sessão asiática caiu. O preço do barril de Brent, a variedade europeia de referência internacional, caiu 1,4% durante a sessão asiática desta terça-feira, cotando-se em 30,54 dólares, depois de ter fechado em 30,90 no dia anterior. O preço do Brent chegou a descer para 27,10 dólares, um mínimo de quase 13 anos, a 20 de janeiro e fechou a semana passada em 32,18 dólares. Na sessão asiática de segunda-feira chegou a cotar-se em 33,50 dólares. As variações durante as sessões diárias são significativas.

As bolsas mundiais perderam na segunda-feira 0,85%, com Nova Iorque a destacar-se pela negativa, com o índice MSCI para os Estados Unidos a cair 1,59%. Também, a Europa fechou ontem em terreno negativo, perdendo 0,57%, segundo o índice MSCI respetivo.

As duas dores de cabeça

Trajetória do preço do petróleo e China continuam a ser os dois factores que mais influenciam o "sentimento" nos mercados financeiros.

Apesar dos ziguezagues, a tendência no mercado petrolífero é para a fixação de preços do crude em mínimos desde há 12 ou 13 anos, face a um excedente de oferta que poderá perdurar em 2016 e à manutenção da estratégia da Arábia Saudita, que, segundo Khalid Al-Falih, o presidente da ARAMCO (a companhia pública petrolífera), poderá aguentar preços baixos "por muito, muito tempo". Por seu lado, Amin Nasser, o diretor-geral daquela petrolífera, disse que há um excedente de 3 milhões de barris por dia.

Ontem, numa conferência na Chatham House, em Londres, o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reafirmou que o cartel não procederá unilateralmente a qualquer corte na produção. O líbio Abdalla El-Badri disse que uma tal decisão tem de ser tomada em conjunto pelos membros do cartel e pelos outros que estão fora da OPEP. O conflito diplomático sério entre a Arábia Saudita e o Irão dificulta também qualquer entendimento dentro do próprio cartel.

O abrandamento da China confirma-se com o Fundo Monetário Internacional a estimar uma taxa de crescimento anual de 6,9% em 2015 e avançando com as previsões de 6,3% para 2016 e 6% para 2017.

Face a este quadro global, Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), chamou a atenção ontem em Frankfurt que a "capacidade [da Zona Euro] em influenciar a economia mundial é limitada", mas que a atuação do BCE e de outros decisores na Europa pode "influenciar o que acontece na zona euro". E concluiu, face ao pessimismo na arena global: "O nosso desafio número um na União, é garantir que a força doméstica prevalece sobre as fraquezas globais". Draghi falou na abertura do ano novo na Bolsa alemã.