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Juros da dívida descem nos periféricos, com exceção da Grécia

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Depois de um pico do mês na semana passada aproximando-se de 3%, os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam esta terça-feira em 2,8%. Os juros que mais desceram foram os das obrigações espanholas

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields da dívida obrigacionista no prazo de referência a 10 anos dos periféricos da zona euro desceram esta terça-feira no mercado secundário, com exceção das obrigações gregas que voltaram a subir fechando em mais de 9,6%. No caso das Obrigações do Tesouro português (OT), naquele prazo de referência, as yields desceram esta terça-feira cinco pontos base fechando em 2,8%, segundo dados da Investing.com e da Datosmacro. Estas duas entidades utilizam ainda como referência a 10 anos a linha de OT que vence em outubro de 2025. Os níveis de yields relativos à recém lançada linha de OT que vence em julho de 2026 são superiores.

O custo desta dívida soberana portuguesa continuou a trajetória descendente desde que registou um máximo do mês na abertura do dia 21 de janeiro, situando-se acima de 3%. As yields que mais desceram foram as relativas às obrigações espanholas a 10 anos, que caíram sete pontos base, fechando em 1,65%.

Os prémios de risco das dívidas dos periféricos desceram esta terça-feira, uma vez mais com exceção da Grécia. O risco da dívida portuguesa desceu para 235,6 pontos base, o equivalente a um diferencial de um pouco mais de 2,3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã a 10 anos, e tomando como referência a linha de OT que vence em outubro de 2025. O prémio de risco que mais desceu esta terça-feira foi o da dívida espanhola.

O preço dos credit default swaps (acrónimo cds) para a dívida portuguesa, que funcionam como seguro contra um risco de incumprimento da dívida num prazo de cinco anos, desceu 1,2% para 207,435 pontos base, o que significa que o comprador do contrato paga cerca de 2,1% do valor a cobrir. A maior descida percentual no preço dos cds nos periféricos do euro registou-se para a dívida espanhola. O preço dos cds relativos à dívida grega continua a liderar na zona euro estando acima de 1242 pontos base, o que significa que o comprador paga mais de 12% do valor a cobrir.

A expetativa dos investidores na dívida soberana centra-se, agora, na possibilidade do Banco Central Europeu optar por mais medidas de estímulos monetários na próxima reunião de março que não “desapontem”, ao contrário do que aconteceu com as tomadas em dezembro pela equipa de Mario Draghi.

As yields das OT a 10 anos chegaram a ultrapassar 3% na semana passada no quadro da expetativa negativa em relação a uma decisão da ISDA, a Associação Internacional de Swaps e Derivados, que apreciou nos dias 20 e 21 a questão de uma parte da dívida sénior que foi transferida do Novo Banco para o BES, banco tóxico. A ISDA acabou por adiar para 12 de fevereiro uma decisão sobre um potencial evento de crédito derivado de tal decisão do Banco de Portugal, esperando, até lá, obter informação atualizada.

Apesar de a agência de notação Standard & Poor's ter decidido, na semana passada, melhorar o rating da dívida grega, subindo-o de CCC para B-, ainda em terreno de dívida altamente especulativa, mas já fora da zona de risco substancial de bancarrota, o impacto positivo no mercado secundário da dívida no sentido de uma descida continuada não se nota. A dúvida sobre uma conclusão positiva do 1º exame ao terceiro resgate grego continua a dominar.