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Ex-presidente do Banif diz que o banco não foi vendido - foi “liquidado” e usado como “moeda de troca”

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José Caria

Jorge Tomé deixa muitas críticas ao processo de resolução do banco, nomeadamente ao papel da Direção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia e do Banco de Portugal

O ex-presidente executivo do Banif Jorge Tomé disse esta terça-feira que o que se passou com o banco foi uma "liquidação forçada", considerando que a proposta do Santander Totta de compra dos ativos do banco poderia ter sido melhor.

"O que aconteceu a 19 e 20 de dezembro não foi a venda do Banif, foi a liquidação forçada do Banif", disse Jorge Tomé durante uma conferência em Lisboa sobre o sistema financeiro português.

Aquele que foi o responsável pela gestão do Banif nos últimos anos até à resolução do banco no final de 2015 fez muitas críticas ao processo de resolução, nomeadamente ao papel da Direção-Geral de Concorrência da Comissão Europeia e do Banco de Portugal.

Jorge Tomé afirmou ainda que a proposta que o Santander Totta fez pelo Banif no processo de venda voluntária, antes da resolução, era "bastante melhor do que a que foi encontrada" e acordada após o resgate. "Já que queriam que fosse o Santander, porque não melhoraram a proposta do Santander?"

Jorge Tomé mostrou ainda dúvidas sobre os ativos do Banif que passaram para o Santander Totta, afirmando que é "opaca" a informação sobre os ativos e passivos transferidos, assim como os preços a que foram avaliados nessa passagem.

“Eu cá tenho a minha tese, com fundamentos, mas não me vou adiantar”

O ex-presidente executivo diz que o banco terá sido usado como "moeda de troca", mas recusou adiantar mais informações sobre esta sua tese. "[A Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia] podia ter utilizado o Banif como moeda de troca e se calhar foi o que fez. Eu cá tenho a minha tese, com fundamentos, mas não me vou adiantar", disse Jorge Tomé durante a sua intervenção na conferência sobre o sistema financeiro português que hoje está a decorrer em Lisboa, na Faculdade de Direito.

Bruxelas mereceu hoje duras críticas de Jorge Tomé quanto, quer à sua postura durante as negociações dos planos de reestruturação do banco, desde 2013, como na resolução da entidade, em dezembro do ano passado.

O administrador bancário disse não querer dar eco às críticas que falam que o Banif poderia estar já prometido ao Santander Totta, mas questionou a Comissão Europeia por durante anos ter andado a falar das "regras sagradas" de um processo de venda, que tinha de ser "transparente, competitivo e aberto", mas depois ter aceitado que tal não acontecesse quando impôs à administração do Banif, no fim de 2015, que alienasse o banco numa semana.

À saída da conferência, questionado pelos jornalistas, Jorge Tomé voltou a recusar desenvolver a sua tese de o Banif ter servido como moeda de troca, afirmando apenas novamente que a "liquidação forçada" que considera ter acontecido no Banif só se justifica se a entidade foi usada como "moeda de troca" de alguma coisa.

A 20 de dezembro, domingo ao final da noite, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo Oitante.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, a que se somam duas garantias bancárias do Estado, no total de 746 milhões de euros.

Com a resolução, o Estado perde ainda os 825 milhões de euros da injeção de capital que fez no final de 2012 no banco. Então, o Estado investiu 700 milhões em ações e 400 milhões de euros em dívida híbrida -- 'CoCo bonds' - dos quais o Banif só devolveu 275 milhões.

A 20 de dezembro, domingo ao final da noite, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta por 150 milhões de euros e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo Oitante.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, a que se somam duas garantias bancárias do Estado no total de 746 milhões de euros.

Com a resolução, o Estado perde ainda os 825 milhões de euros da injeção de capital que fez no final de 2012 no banco. Então, o Estado investiu 700 milhões em ações e 400 milhões de euros em dívida híbrida - 'CoCo bonds' -, dos quais o Banif só devolveu 275 milhões.