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Portugal vende tudo. Até leite de burra

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Helder Oliveira

Nas exportações lusas há produtos inesperados e até exóticos, que vão desde o leite até às antenas parabólicas

Quando se fala em exportações portuguesas, as máquinas e aparelhos, o material de transporte e os têxteis são associações imediatas. Mas há muito mais na lista das exportações, incluindo produtos inesperados. Um exemplo é o leite de burra para a indústria cosmética. A Naturasin dedica-se à criação de gado asinino e à produção e comercialização de leite de burra, no concelho de Coruche. Em 2012, a exportação valia 99% da faturação, atingindo cerca de meio milhão de euros. Contudo, problemas aduaneiros ditaram a perda do maior cliente, na Coreia, levando a empresa a refocar o negócio na União Europeia.

Entretanto, “decidimos lançar uma linha própria de produtos de cosmética”, conta Filipe Carvalho, sócio da Naturasin e da DMC, a empresa criada no final de 2014 para explorar esta linha de negócio, através da marca Phillippe by Almada. “Desenvolvemos as fórmulas e tudo é produzido em Portugal”, diz, salientando que o objetivo é a exportação representar pelo menos 75% da faturação. França, Reino Unido e Espanha foram os países selecionados como prioritários e os contactos avançaram com o apoio da AICEP Portugal Global. Agora, “estamos a negociar os contratos finais de distribuição”.

75% da faturação anual de €2 milhões é precisamente quanto vale a exportação no negócio da Naturea Petfoods, uma marca portuguesa de alimentação de animais de estimação. Apostando na inovação e diferenciação do produto, “estamos no topo dos rankings da alimentação para cães e gatos”, diz Raul Abraão, presidente da empresa. Com ração seca e húmida, os biscoitos para cão são um produto estrela, porque são os únicos no mundo também adequados ao consumo pelos donos. Presente em perto de duas dezenas de geografias, da Europa ao Extremo Oriente, a estratégia da empresa é ter um parceiro local em cada país que assegure a distribuição.

Os acordos de distribuição com empresas locais são também a estratégia seguida pela GreenHair, na exportação dos kits profissionais de manicure e pedicure Balbcare. Presente em quase toda a Europa, Médio Oriente, China, Coreia do Sul e Rússia, o objetivo para 2016 é chegar aos Estados Unidos, revela António Picado, proprietário da empresa. Este ano, a empresa vai também lançar kits para o mercado doméstico e tem como objetivo duplicar as exportações, que em 2015 atingiram €1,5 milhões, correspondendo a 75% da faturação.

A exportação foi o segredo da Jacinto Marques de Oliveira Sucessores para mais do que duplicar a faturação entre 2011 e 2015, atingindo os €16,3 milhões. A empresa de Esmoriz fabrica veículos de combate a incêndios, a partir de chassis de marcas como a Mercedes ou a Iveco, que chegam a vários países da Europa, América do Sul, África e Médio Oriente. “Funcionamos com parceiros locais que asseguram a parte comercial e o serviço pós-venda”, explica Jacinto Reis, administrador da empresa. Mas “estamos a pensar abrir alguns escritórios locais próprios, a começar pela Europa”.

Em Estarreja, a Sinuta fabrica antenas parabólicas, tendo como principais clientes operadores de telecomunicações na Europa, América Latina e África atlântica. As exportações representam 90% do volume de negócios, com uma estratégia assente “na melhoria contínua de produtos e processos e contacto e assistência técnica direta com os clientes”, aponta Arménio Silva, diretor da empresa, revelando que, em 2016, a Sinuta vai focar-se em novos operadores em África e “iniciar os estudos de mercado para identificar oportunidades nos Estados Unidos e Canadá”.