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Draghi inverte subida dos juros para 3%

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DANIEL ROLAND / Getty Images

As palavras do presidente do BCE na quinta-feira fizeram cair os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos de 3%, um máximo desde o verão de 2015. Adiamento para fevereiro da decisão da associação de derivados sobre a transferência de dívida sénior do Novo Banco para o BES esfria especulação sobre aumento do risco de Portugal

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos fecharam a semana no mercado secundário da dívida soberana em 2,82%, depois de terem atingido mais de 3% na abertura da sessão do dia 21 de janeiro, um máximo desde o verão de 2015, aquando da crise grega.

Esta semana, apenas Portugal e Grécia registaram subidas no mercado secundário das yields das OT naquele prazo de referência. No caso português, o aumento foi de oito pontos base, face a descidas nos casos das obrigações espanholas e irlandesas. No caso italiano, as yields mantiveram-se sem alteração. O disparo da semana registou-se nas yields das obrigações gregas a 10 anos, que fecharam a semana em 9,53%, tendo chegado a mais de 10% nos dias 20 e 21 de janeiro.

A subida para 3%, no caso das OT a 10 anos, no início da sessão de quinta-feira foi invertida. As declarações do presidente do Banco Central Europeu de que na reunião de política monetária em março se poderá “possivelmente reconsiderar” novas medidas de estímulos teve um efeito de contágio positivo no mercado da dívida soberana da zona euro na quinta e na sexta-feira.

Mario Draghi gerou, de novo, uma onda de expetativa na conferência de imprensa de quinta-feira após a primeira reunião de política monetária do ano. O BCE não mexeu no quadro de políticas, mas o seu presidente deu a entender que poderá haver mais estímulos, pois, como disse a fechar a conferência, "nós não desistimos".

A especulação sobre até onde poderá ir o agravamento do risco de Portugal – com o prémio de risco do país a aumentar oito pontos base durante a semana e o custo dos credit default swaps, a 5 anos, a subir de 196,85 pontos base em 15 de janeiro para 210,215 a 22 de janeiro – abrandou depois de a ISDA ter adiado para 12 de fevereiro nova apreciação sobre as implicações no mercado da dívida da decisão do Banco de Portugal em transferir para o BES (banco tóxico) uma parte da dívida sénior do Novo Banco no valor de 1941 milhões de euros.

A International Swaps and Derivatives Association depois de reunir nos dias 20 e 21 de janeiro, decidiu, por unanimidade das 15 entidades financeiras presentes, “que era prudente esperar e realizar novas tentativas para obter informação atualizada”. A ISDA pode declarar "eventos de crédito", ou seja situações em que uma entidade ou um país entra em incumprimento de dívida. As 15 entidades são as seguintes: Bank of America, Barclays Bank, BNP Paribas, Citi Bank, Crédit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, JPMorgan Chase Bank, Morgan Stanley and Co, Nomura, AllianceBernstein, BlueMountain Capital Management, Citadel, Cyrus Capital Partners e Pacific Investment Management Co.

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