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Bolsas mundiais registam ganhos semanais pela primeira vez em 2016

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As Bolsas de Tóquio e de Singapura estiveram fechadas esta segunda-feira

YONHAP / EPA

Depois de duas semanas com uma queda acumulada de quase 9%, o índice MSCI mundial sobe quase 1% na terceira semana de janeiro. O “não desistimos” de Mario Draghi alimenta possibilidade de mais estímulos em março por parte do BCE e analistas asiáticos esperam o mesmo do Banco do Japão em breve

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais voltaram a ter uma queda significativa a 20 de janeiro, a terceira do ano no patamar dos 2%, depois dos rombos nos dias 4 e 7. Mas reagiram na quinta-feira com ganhos de 0,32% e fecharam na sexta-feira com uma subida de 2,7%.

A reanimação das bolsas na parte final da semana permitiu ao índice bolsista MSCI mundial registar um ganho semanal de 0,96%, depois de ter perdido 6,16% na primeira semana e 2,74% na segunda semana de janeiro. O “factor China” (pânico face a uma derrapagem económica mais acentuada do que o previsto) e a continuação da derrocada do preço do petróleo marcaram essas duas primeiras semanas.

Nesta terceira semana de janeiro, as bolsas europeias e de Nova Iorque puxaram pela subida, registando ganhos semanais de 1,5% e 1,4% respetivamente, segundo os índices MSCI. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, ficou ligeiramente acima da linha de água, com um ganho semanal de 0,02%.

No entanto, o índice MSCI para a região da Ásia Pacífico perdeu quase 1,4% durante a semana, apesar de um disparo na bolsa de Tóquio na sexta-feira de quase 6% do índice Nikkei 225, e o índice para o grupo das economias emergentes registou um ganho semanal de apenas 0,2%.

Na China, a situação acalmou esta semana com o índice composto de Xangai a ganhar 0,5%, e o índice de referência CSI 300 (para as principais trezentas cotadas nas duas bolsas chinesas, de Xangai e Shenzhen) a perder apenas 0,17%. As três derrocadas deste ano nas bolsas chinesas, com quebras superiores a 5%, ocorreram nas duas semanas anteriores de janeiro. O Banco Popular da China (BPCh), o banco central, injetou na sexta-feira no sistema financeiro o equivalente a mais de 56 mil milhões de euros, a maior quantia diária em três anos.

O mau desempenho bolsista continua a atingir sobretudo seis índices principais em seis praças financeiras importantes, com quebras de mais de 1% esta semana: Tadawull da Arábia Saudita (-6,4%); Hang Seng, de Hong Kong (-2,3%); IDX composto da Indonésia (-1,5%); iBovespa de São Paulo, Brasil (-1,4%); BIST 100 de Instambul, Turquia (-1,2%); e Nikkei 225 de Tóquio, Japão (-1,1%).

‘James Bond’ Draghi alimenta esperança de mais estímulos

Apesar do Fundo Monetário Internacional (FMI) ter publicado esta semana uma revisão em baixa das suas previsões para o crescimento do PIB e do comércio internacional em 2016 e 2017, as bolsas mundiais reagiram positivamente ao “não desistimos” proferido por Mario Draghi.

A frase foi dita pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), no fecho da conferência de imprensa de quinta-feira depois da reunião do seu conselho. A que se juntou a expetativa dos analistas asiáticos que o Banco do Japão dará um sinal positivo, de mais estímulos monetários, na reunião de 28 e 29 de janeiro.

Draghi, a quem já cognominam de “James Bond monetário”, afirmou que a sua equipa poderá “possivelmente reconsiderar”, de novo, a política monetária na reunião de março. O “não desistimos” e o “possivelmente” geraram, de imediato, uma onda de especulação sobre a possibilidade de, em março, o BCE avançar a decidir, nessa altura, o que não ousou fazer em dezembro passado, quando “desapontou” os mercados financeiros. O cognome de “James Bond” atribuído ao banqueiro central italiano foi lançado por Carsten Brzeski, economista-chefe do banco ING para a Alemanha e Áustria.

Na frente da política monetária mundial, os investidores esperam, ainda, que a Reserva Federal norte-americana (Fed) mantenha o tom gradualista e prudente na primeira reunião do ano, a 26 e 27 de janeiro. Depois do aumento das taxas de juro na reunião de dezembro, uma probabilidade superior a 50% para um novo aumento foi empurrada para a reunião de 15 de junho, segundo as probabilidades implícitas nos futuros das taxas de juro da Fed calculadas diariamente pela CME.

Em relação a uma subida das taxas de juro pelo Banco de Inglaterra (BoE), a possibilidade é, agora, empurrada pelos analistas para maio. “Ainda não é altura de subirmos as taxas de juro”, disse o governador Mark Carney no final da reunião do BoE desta semana. “O mundo está mais fraco e a economia do Reino Unido abrandou”, concluiu, para explicar porque continua a adiar copiar os colegas de Washington.

A expetativa dos investidores e analistas financeiros centra-se na continuação de políticas de estímulos monetários por parte do BCE, BoJ, BoE e BPCh e numa estratégia de subida prudente de juros por parte da Fed, que contrabalance a alta volatilidade que se tem observado nas bolsas e nos mercados de matérias-primas, em particular no petróleo.

Apesar de uma revisão em baixa das previsões, o FMI continua a apontar para uma aceleração do ritmo de crescimento económico mundial e do comércio internacional em 2016 e 2017. Neste último ano, o ritmo do crescimento do comércio internacional será superior ao do PIB mundial.

A própria dinâmica de importações por parte das economias emergentes e em desenvolvimento irá passar de 0,4% em 2015 para 3,4% e 4,3% nos dois anos seguintes, podendo compensar o abrandamento nas importações por parte das economias desenvolvidas em 2016. As duas principais economias gravemente "doentes", com continuação de uma dinâmica de contração em 2016, são o Brasil e a Rússia.

Volatilidade no preço do petróleo

A ponta final da semana sentiu, também, a subida dos preços do barril de petróleo, o que gerou um contágio positivo nas bolsas. Na sexta-feira, o barril de Brent, a variedade europeia de referência internacional, fechou a subir 10% cotando-se em Londres a 32,18 dólares.

A semana foi, de novo, de alta volatilidade neste mercado, com o preço do Brent a variar entre um mínimo de 27,10 dólares durante a sessão do dia 20 de janeiro, e 32,3 dólares durante a sessão de sexta-feira.

Os analistas deste mercado salientam, no entanto, que o quadro fundamental não se alterou, ou seja que há um excesso de oferta que tudo indica irá perdurar. Segundo as novas previsões do FMI, o preço médio anual do barril de petróleo – baseado num cabaz que inclui o Brent europeu, o Fateh do Dubai, e o WTI norte-americano - deverá descer 17,6% durante 2016, prosseguindo uma trajetória descendente, ainda que mais moderada, depois de uma quebra de quase 42% em 2015. A agência de rating Moody’s colocou 120 grupos petrolíferos para revisão da notação de crédito.

Esta semana, os preços do grupo das matérias-primas energéticas subiram significativamente: mais de 11% para o Brent; quase 10% para o WTI; mais de 6,5% para o óleo de aquecimento; quase 6% para a gasolina reformulada; e quase 5% para o gasóleo cotado em Londres.

Nos índices de matérias-primas, as subidas foram de 2,42% para o CRB e 3,95% para o S&P GSCI. O índice Bloomberg para as matérias-primas avançou 2,3%.